Livro educativo ensina política para crianças

Por Jacqueline Fernandes

Engana-se quem acredita que política é apenas “coisa de adulto”. Crianças também podem discutir e entender como são formados os tipos de governos de uma nação. Temas como este são abordados pelo livro “Quem manda aqui?”, a primeira edição de uma série de livros sobre política voltada para crianças. A ideia é desenvolver um olhar crítico para esse público (de 5 a 7 anos de idade). O exemplar foi realizado por meio de financiamento coletivo, em que ao todo 260 pessoas doaram cerca de R$ 13 mil reais para a produção.

O livro será colaborativo, ou seja, tudo será criado coletivamente em oficinas com as crianças e jovens. De acordo com a jornalista e escritora Paula Desgualdo, uma das idealizadoras do projeto, as reuniões serão importantes para a produção do livro. “Serão encontros com crianças e pais para falar, brincar, questionar, entender conceitos e se expressar sobre formas de controle e poder”, conta Desgualdo.

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Livro infantil quer falar de política para as crianças. (Crédito Jacqueline Fernandes)

O “Quem manda aqui?” foi desenvolvido pelo Laboratório Hacker, espaço em São Paulo que trabalha com cultura digital, transparência e política. O objetivo do projeto é levar a discussão para as escolas e casas das crianças. De acordo com o cientista político, Ademar Ferreira, entender política é parte essencial de viver em sociedade. “Política é a arte do convívio em espaços onde existem relações de poder, seja na relação entre pais e filhos, professores e alunos, patrões e empregados”, afirma Ferreira.

Para conhecer melhor o “Quem manda aqui?”, veja o vídeo abaixo.

Educação, Política e Cidadania

Termos como “cidadão” e “cidadania” estão incluídos no vocabulário desde cedo, contudo pouco se sabe sobre a importância destas palavras no dia a dia das crianças. Desde a infância atividades cotidianas expõem exercícios de direitos e deveres, como a relação entre família, professores e amigos. Desta forma, educação, política e cidadania interferem na vida infantil.

Contudo na maior parte das escolas públicas de ensino infantil assuntos relacionados à política são ausentes, explica a professora Rosana Barbosa. “Mesmo tendo momentos de discussão sobre cidadania não é política. Não é um assunto levado à sala de aula e nem pautado pelo apostilado que aplicamos na rede”, explica Barbosa. Apesar disso, a professora se diz favorável às mudanças na forma de ensino. “Acredito que tudo que possa fazer com que as crianças sejam mais autônomas em diversos assuntos é válido, claro que tem que ser dentro do entendimento delas, mas se começarmos a incentivar para que exponham suas ideias, discutam e respeitem opiniões é muito válido e porque não a política?”, conclui.

O cientista político Ademar Ferreira, afirma que discutir política com crianças está mais relacionado à participação do que ao ensino em si. “Criar grêmios, votar para escolher qual tipo de merenda e outras medidas têm mais impacto que o ensino formal. As práticas políticas ainda são um gargalo em nossa democracia. A política tem a ver com tomada de decisões”, exemplifica Ferreira.

(Crédito : Piktochart)
Formas de exercer política na infância (Crédito : Piktochart)

Para a mãe e estudante Emili Nascimento, educar a filha Ohanna de 5 anos a respeito de cidadania e política é uma tarefa diária que envolve a família e escola. “Ensino a ela que se deve respeitar os mais velhos e principalmente ter bons comportamentos dentro da sala de aula, respeitando sempre a professora e as diferenças de cada coleguinha. Acho importante não só minha filha mais todas as crianças terem informações de como funciona a política do país bem como saber a importância de seus direitos e obrigações”, explica a mãe, que acredita que a escola cumpre um papel importante na criação de valores da filha. “A escola ensina várias condutas sociais e politicamente corretas, como o uso racional da água entre outras atividades que acrescentam na conscientização e a formação pessoal da criança”, conta Nascimento.

Atualmente programas ligados a política não fazem parte do plano de ensino de escolas de nível infantil. O assunto aparece com mais frequência durante o ensino médio, como no projeto “Eleitor do Futuro”, que leva aos estudantes uma reflexão sobre o que é um eleitor consciente e participativo. A partir de visitas programadas a escolas do ensino médio em todo o Estado, juízes eleitorais, servidores da Justiça Eleitoral e promotores levam o debate sobre temas relacionados ao voto, à democracia e à Justiça Eleitoral, para a sala de aula.

Editado por Lucas de Lima

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