Movimento No Poo: mulheres abandonam o xampu

Por Vanessa Dias

“Uma técnica que consiste, basicamente, em lavar o cabelo sem usar o xampu”. Essa é a definição usada em muitos sites e vídeos especializados na técnica No Poo, método que vem sendo cada vez mais adotado e pesquisado pelo público feminino.

“Nós não somos um movimento ‘antixampu’, como algumas reportagens afirmam. Somos um grupo de pessoas buscando alternativas que satisfaçam as necessidades dos seus cabelos”, definiu de antemão Amanda Pedrazzoli, criadora do grupo No / Low Poo – Iniciantes no Facebook especializado no método, voltado para ajudar iniciantes.

Os participantes do método pesquisam nos rótulos dos produtos, componentes que possam fazer mal ao cabelo. (Crédito: Vanessa Dias)

Como surgiu e o que é o No Poo

A primeira a citar essa técnica foi a cabeleireira Lorraine Massey, em seu livro Curly Girl. No livro, a profissional aponta uma série de formas de lidar com o cabelo cacheado, e entre elas está o No Poo.

O método consiste em abolir parcial ou completamente o xampu da rotina capilar (o “poo”, do nome, vem de shampoo). Isso porque a grande maioria dos xampus contém componentes que agridem o cabelo, ou apenas “maquiam” os fios, sem hidratar de verdade. “O sulfato realmente agride os fios, por retirar a oleosidade natural do cabelo. Mas simplesmente remover o sulfato dos xampus é perigoso, porque se um produto tiver derivados do petróleo, por exemplo, é o sulfato quem retira”, comentou a farmacêutica Renata Gomes. Por isso, além do sulfato, há uma série de componentes que as adeptas ao método evitam. Os principais são os derivados de petróleo, parafina, silicone e parabenos.

Tabela com os componentes proibidos e liberados para Low e No Poo. (Crédito: Núbia Magdalena / Reprodução Facebook)

A técnica pode ser feita de diversas maneiras. As mais conhecidas são a de lavar o cabelo com bicarbonato de sódio e vinagre de maçã, ou a de fazer o chamado co-wash, que consiste em lavar o cabelo somente com condicionador (preferencialmente sem silicone). “O condicionador possui agentes suficientes para fazer a limpeza do cabelo, já que com a técnica adota-se produtos que não deixarão resíduos nos fios”, esclareceu Amanda, no grupo do Facebook.

“Assim como a maioria das meninas cacheadas, eu tinha problemas com aceitação. O No Poo me ajudou a definir os cachos. Higienizo duas vezes por mês com bicarbonato e vinagre, e o restante dos dias lavo com um produto que faz a vez do xampu”, declarou Umáyra Durgo, praticante de No Poo há um ano e três meses.

De acordo com a farmacêutica Renata, pesquisar os componentes que usa e aderir técnicas naturais pode, sim, trazer benefícios ao cabelo. No entanto, é preciso pesquisar muito antes de tomar qualquer decisão. “Essa lavagem com bicarbonato e vinagre deve ser feita, no máximo, uma vez por mês, ou uma vez a cada quinze dias. O bicarbonato pode quebrar os fios, se usado em excesso, e o vinagre pode ressecar e desbotar os cabelos. A técnica, em si, é muito boa, mas deve ser feita com muita cautela. Eu indicaria o acompanhamento de um especialista para quem está começando”, opinou ela.

Entre os principais participantes, estão as pessoas de cabelo cacheado ou ressecados. No entanto, a técnica pode ser feita para todo tipo de cabelo. (Crédito: Vanessa Dias)

O Low Poo

Para aqueles que se interessaram pelos benefícios, mas não conseguem ficar sem xampu, uma boa alternativa é o Low Poo, que consiste em diminuir as lavagens e usar xampus sem sulfatos.

“Quando pesquisei, achei o No Poo muito radical. Acho que optei pelo Low por ser um meio termo. Sempre busquei me informar a respeito da composição de cosméticos, principalmente depois que fiz formação em maquiagem profissional. Pode parecer anti-higiênico num primeiro momento, mas acredite, lavar uma vez por semana é suficiente”, contou Fernanda Nakamura, adepta ao Low Poo desde março de 2012.

“Uma coisa que mudou muito em mim nessa história é minha atitude como consumidora. Eu comecei a ler os rótulos, procurar saber o que aquilo tudo significava não só pra saúde do meu cabelo como pro meu corpo também”, complementa Fernanda.

 

Editado por Ana Luiza Sesti

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