Solidariedade frustrada: Mendigo doa presente ganhado em “vaquinha”

Por Martha Raquel Rodrigues

Atualizado em 28/08, às 10:08

Foram R$ 1700 arrecadados para a fabricação do carrinho entregue à Seu Fabiano (Crédito: Martha Raquel Rodrigues)

Há pouco mais de um mês, uma advogada se comoveu com a história de Seu Fabiano, um morador de rua cujo sonho era ter um carrinho para levar suas coisas como algumas panelas, itens de higiene e vestimentas. Ela movimentou uma campanha no Facebook para realizar o sonho do homem, e a entrega aconteceu no último sábado, 23. Mas o tiro saiu pela culatra: Seu Fabiano fez descaso do presente, e o doou no dia seguinte.

O movimento online começou quarenta dias atrás. Quando Ludmilla Francesco Russo viu os 970 confirmados no evento do Facebook, comunicou Seu Fabiano que teria condições, através das doações, de ajudá-lo. O morador de rua ficou muito contente e fez alguns pedidos em relação ao carrinho. Seu desejo era que o carrinho fosse feito completamente de ferro, e com quatro rodas.

No entanto, a organização do evento descobriu, através da Prefeitura de Campinas e da consulta com alguns serralheiros, que o carrinho solicitado seria inviável. Foi orientado que o fundo do veículo fosse de madeira envernizada, e com somente duas rodas para melhor locomoção, especialmente nas curvas.

 

A entrega

Cerca de 20 pessoas estiveram presentes na entrega (Créditos: Martha Raquel Rodrigues)

No sábado, cerca de 20 pessoas se dirigiram até a Rua Barreto Leme, cruzamento com a Avenida Francisco Glicério, onde Seu Fabiano costuma ficar. No momento da entrega, o morador não esboçou reações, tampouco se levantou do chão para ver o carrinho. Pouco depois, Seu Fabiano começou a agredir a organizadora com palavras, dizendo que “uma advogada devia ter palavra” e, se ela lhe disse que o carrinho teria quatro rodas, deveria ter cumprido, pois “ele sabe o que é melhor para si mesmo, e não ela.”.

Os participantes ficaram em silêncio por um momento, mas logo se manifestaram em defesa da advogada, que estava sem reação e visivelmente frustrada. Mesmo com as explicações à Seu Fabiano de que o carrinho fora projetado pensando em seu bem estar, o morador de rua custou a entender, mas acabou aceitando o carrinho.

No dia seguinte, uma das colaboradoras viu o veículo com outro morador de rua pela cidade de Campinas. Ludmilla foi ao encontro de Seu Fabiano, que deu inúmeras desculpas sobre o porquê fez aquilo.

No momento da entrega, o morador de rua não fez cerimônia ao demonstrar seu descontentamento em relação ao presente. (Crédito: Martha Raquel Rodrigues)

A história

Na foto, as organizadores do projeto “Vaquinha Online para Seu Fabiano” (Crédito: Martha Raquel Rodrigues)

Ludmilla sempre notava a presença de seu Fabiano próximo a Avenida Glicério. Em uma noite de muito frio ela o ofereceu um cobertor, e o mesmo recusou, pois não teria como carregar depois. A advogada se sentiu incomodada com a situação e, com a ajuda das amigas Dayane Karen Silva, Priscila Serafim e Silvia Brunherotto, organizou uma “vaquinha” online com a finalidade de conseguir R$2000,00 para comprar um carrinho para Seu Fabiano. O intuito era pedir que cada amigo contribuísse com R$5, mas a medida que a história se espalhou pelo Facebook, pessoas do Brasil inteiro passaram a fazer doações (fossem elas de R$5 ou R$100). A iniciativa rendeu um total de R$3500,00 reais. Destes, R$1700,00 foram utilizados na fabricação do carrinho, e o restante do dinheiro será usado para ajudar outros moradores de rua (ainda não foi decidido de qual maneira). Um grupo foi criado no Facebook para manter contato com todos os interessados em continuar ajudando os moradores de rua de Campinas.

Após a entrega, Ludmilla lamentou o ocorrido na página do evento. “Ainda ajudaremos outros moradores com o dinheiro que sobrou, mas preciso de uns dias para assimilar o que aconteceu e depois retomaremos nossas conversas para nos reunirmos e cumprir com o propósito”.

A advogada termina o post com um desabafo “Apenas queria ver com quem o carrinho está e pedir que a pessoa faça bom proveito, pois foi o resultado da união de inúmeras pessoas e da cansativa dedicação de buscar o melhor para o Sr. Fabiano”.

 

Atualização

Em nota a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) explica que segundo definição do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), carro de mão (com duas rodas) é um veículo de propulsão humana utilizado no transporte de pequenas cargas. Não há em Campinas regulamentação a respeito desses veículos, mas os agentes da Mobilidade Urbana da Emdec podem adotar medidas e prestar orientações durante sua passagem, visando garantir a segurança e fluidez no trânsito.

Segundo orientação da Prefeitura Municipal de Campinas, não ha restrições quanto ao carrinho considerado carriola (com duas rodas), mas o de quatro rodas poderia ser recolhido em caso de incomodo ao trânsito e/ou pedestres.

 

Editado por Vanessa Dias

45 comentários

  1. Na próxima vez os organizadoras podem tentar não ser tão vergonhosamente paternalistas. O morador de rua disse o que queria, elas fizeram diferente porque acham que o homem é ignorante e precisa de cuidados das Pessoas Preocupadas. Serves them right.

      1. O Erick pode nao ter colocado da melhor maneira possivel, mas ele tem um pouco de razao. Nao conheco a historia, mas pelo que entendi do texto acima, o morador de rua queria algo pra guardar as coisas dele e nao para puxar papelao ou latinhas… acho que o fato da organizacao nao ter dado maior atencao ao pedido do morador foi crucial para o “fracasso” do projeto. Agora cabe aos organizadores tentarem enteder a causa da rejeicao e aprender com isso.

        Parabens pela mobilizacao e se empenharem para ajudar o proximo!

    1. cara, o carrinho só não foi feito com 4 rodas, porque extrapolaria o montante arrecadado em doações, e segundo o texto acima( acredito que você leu, porém não absorveu o que estava escrito) diz que se o veículo de mão fosse de 4 rodas, poderia vir a atrapalhar o fluxo de trânsito, tendo em vista que é na região central em que o Sr. Fabiano costuma ficar. Então antes de defecar pelos dedos, preste mais atenção coleguinha.

  2. Não é bem assim Erick, mesmo que no final o carrinho não tenha ficado do jeito que ele pediu, poderia ter aceitado; “cavalo dado não se olha os dentes”, mas ele preferiu ficar sem nada do que aceitar um carrinho que já quebraria um galho.

    1. “mas ele preferiu ficar sem nada do que aceitar um carrinho que já quebraria um galho.” É isso mesmo, ele fez o juizo de valor sobre o que é melhor para ele, ser mendigo não retira sua autonomia individual.

      Não adianta bancar de caridoso e não ter algo muito mais fundamental que é o respeito.

      1. Mas gente, quem disse que se trata de respeito?? Pelo amor de Deus, a menina passou 40 dias juntando dinheiro no Facebook e movimento uma ação para ajudar este homem. Ela conversou com a Prefeitura, e foi orientada que um carrinho com quatro rodas teria que ter volante, placa e ALÉM DISSO, a Prefeitura poderia tomá-lo (não me perguntem porquê, pois não sei os detalhes. A repórter pode explicar).

        Você diz que não é porque ele é morador de rua que deve retirar sua autonomia individual, Maurício. Concordo. Ele não precisava, necessariamente, ter ficado com o carrinho se não quisesse. Mas se tem alguém que faltou com respeito, o ÚNICO a fazer isso foi ele. Podia ao menos agradecer pela ação movimentada para ele, mas explicar que o carrinho não lhe serviria por tais e tais motivos. Agora, cuspir no prato que lhe é dado é demais, ofender a garota como advogada e sequer se levantar para ver o carrinho. É a mesma coisa que ganhar um presente e jogar de volta na cara de pessoa dizendo que odiou. Nem criança faz isso.

  3. Apenas a título de informação, o carrinho não poderia ser quatro rodas por questão de mobilidade. Tirando esse fato, ele estava EXATAMENTE IGUAL ao que o Sr. Fabiano me pediu. Mesmas medidas, inclusive. Assim, antes de fazerem qualquer comentário hipócrita de alguém que não levantou a bunda para fazer nada e ficar falando porcarias e inverdades por aí e, inclusive, me julgando, peço que se informem a respeito. Ele tem todo o direito de saber o que é melhor pra ele e não tem obrigação de aceitar nada que não lhe seja útil. Mas o carrinho estava exatamente do jeito que ele pediu, com exceção das rodas. Não adianta me dizerem que deveria ter feito do jeito que ele queria, pois aí seria dinheiro jogado no lixo. Vocês que estão criticando e me culpando pelo fracasso dessa entrega, enxerguem pelo menos que tentei fazer o meu melhor e o melhor para ele, ainda que ele não entenda.

    1. Olha moça, se eu achasse que vocês não querem ajudar eu nem perderia tempo criticando. Não duvido de suas boas intenções.

      Eu tenho origem muito humilde e já dependi de ajuda de pessoas caridosas como você. Agora eu posso te dizer que é horrível a pressão social para vc fazer cara de muito obrigado para qualquer coisa que vc ganhe e pior ainda quando as pessoas acham que te dar coisas significa que elas tem o direito de cobrar satisfação do que vc faz da sua vida e das coisas que elas lhe dão. Dá vontade de devolver tudo e dizer “ó eu achei que isso aqui era dado, não sabia que eu tinha que te dar minha vida em troca!”, mas aí você é o “mal agradecido que não valoriza as pessoas que querem te ajudar”.

      Você achou desproporcional a reação do Sr. Fabiano pq ela é incompatível com seu contexto social, mas é razoável vindo de alguém tratado como LIXO pela sociedade. Estas pessoas desenvolvem barreiras emocionais muito fortes para defenderem-se da rejeição que sofrem dia a dia, ele não sabe que isso te magoou porque ele não é acostumado à seus sentimentos terem importância para outras pessoas. O mundo dele não tem nada haver com as convenções sociais a que vc está acostumada.

      Vc é uma pessoa estudada e esclarecida e mesmo assim é difícil para vc transpôr as barreiras culturais que te distanciam dele, imagine o quão mais difícil é para ele!

      Visto que vc se interessou pelo Sr. Fabiano eu sugiro que vc não perca o contato com ele, mas busque conhecê-lo verdadeiramente e estabeleça uma empatia com ele. Isto vai ampliar profundamente a sua visão da sociedade e isso é algo muito valioso que o Sr. Fabiano pode TE DAR.

      Ou vc pode só dar ouvidos para seus amigos abastados que vão lhe confirmar que ele é apenas um mal agradecido que não sabe se comportar.

      Vou deixar um link para um documentário caso lhe interesse: https://www.youtube.com/watch?v=KFyYE9Cssuo

      Se quiser trocar mais ideias pode me add no facebook https://www.facebook.com/mauriciooferrao

      Abraço.

      1. Caro Maurício, entendo o que você quer dizer e diferentemente do que imagina, eu também já passei necessidade e precisei de ajuda. Então, não julgue o livro pela capa. Se estudei em uma boa faculdade e me formei em Direito, é porque eu tive bolsa do ProUni, pois também não teria condições de arcar com os custos, já que somos apenas eu e minha mãe.
        Eu nunca exigi nada dele, mas isso não me tira o direito de sofrer com a decepção de ter me dedicado justamente para que a vida dele melhorasse. Não quis, em momento algum, ter um agradecimento compatível com o meu grau de instrução e realidade. Muito pelo contrário, o que me decepcionou é que mesmo tendo promovido tantos esforços, a vida dele não mudou nada. E isso é o meu objetivo maior. Eu não vou deixar de ajudar outras pessoas por isso e nem vou me desmotivar ou ficar julgando o Sr. Fabiano pela atitude dele. Mas eu tenho o direito de ficar chateada no meu canto, à minha forma. E digo mais, ainda que eu tivesse dado um carrinho com quatro rodas, ele provavelmente teria dado embora pelo seguinte fato: para ser de quatro rodas ou precisaria de um eixo e volante e freio (inviável) ou teria rodinhas de carrinho de mercado, o que ele também não queria, pois fazia questão de rodinhas de carriola. Ou seja, não sei como poderia tê-lo agradado mais e tornar o carrinho perfeito para a vontade dele. Entendo a situação dele e nem posso imaginar tudo o que passou, mas foi justamente EU quem sentou no chão com ele e ouviu toda sua história; quem, quase todos os dias, passava lá para contar como estava o andamento da confecção do carrinho. Então, por favor, também pense um pouco mais antes de falar qualquer coisa, sem estar realmente ciente do que ocorreu. E eu apenas respondi daquela forma grosseira contra o comentário do Erick, que nada tem a acrescentar e mal sabe do ocorrido, apenas querendo chamar a atenção, e contra o seu comentário de “bancar o caridoso”.
        Espero que agora o respeito mútuo tenha ficado claro.
        Abraços.

    2. Ludmila, parabens pela iniciativa. Entretanto, ajudar o proximo nao eh algo facil. Alem de tudo que o Mauricio colocou muito bem, pude perceber que vc estava esperando algo mais alem de melhorar a vida do Sr. Fabiano. Nao quero entrar em debate com vc, mas faca uma reflexao do pq vc sofreu tanto com o fracasso do projeto. Talves vc precise ajustar as suas expectativas para poder levar o seu trabalho, que eh muito bonito, para frente e assim atingir plenamente os objetivos.

      Quanto as restricoes que vc diz ter ouvido, acho muito estranhas. Sua amiga ai em cima disse que o carrinho precisaria ter placa caso tivesse 4 rodas, vc disse que deveria ter volante e freio e nem poderia ter rodas de carrinho de supermercado. Bom, a exigencia da placa parece piada, ja que placas sao para veiculos automotores. Sobre o projeto do carrinho, existem varios modelos que satisfazem o pedido, aqui vai um exemplo: http://bit.ly/1qKLypQ

      1. Oi, Jordan, tudo bom?

        Então, em relação as restrições do carrinho, consultei e EMDEC e coloquei uma atualização a respeito no post. Em nota a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC) explica que segundo definição do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), carro de mão (com duas rodas) é um veículo de propulsão humana utilizado no transporte de pequenas cargas. Não há em Campinas regulamentação a respeito desses veículos, mas os agentes da Mobilidade Urbana da Emdec podem adotar medidas e prestar orientações durante sua passagem, visando garantir a segurança e fluidez no trânsito. Segundo orientação da Prefeitura Municipal de Campinas, não ha restrições quanto ao carrinho considerado carriola (com duas rodas), mas o de quatro rodas poderia ser recolhido em caso de incomodo ao trânsito e/ou pedestres.
        Muito obrigada por expor sua opinião, e por ajudar também a manter o post ainda mais claro com a atualização solicitada.
        Martha Raquel Rodrigues

    3. Ludmilla… não se entristeça. Esse homem fez isso comigo também. Me disse duas vezes que “se eu quisesse conversar, só queria dinheiro… e se não fosse assim, que o papo estava encerrado!”… ele é desrespeitoso, arrogante e muito mais! até perdi a vontade de me meter a ajudar quem quer que seja. Agora… penso… penso… e penso… e sabe o que acontece? – pior – a vontade de ajudar vai-se embora! triste, mas é isso! Não fique triste. O “erro” está nele. Merece viver assim… infelizmente. Bom, gostaria de não perder você de vista. Meu nome é Maria, gostaria de conversar mais com você sobre esse assunto. Grata!

  4. O que importa é que o carrinho está fazendo bem a outra pessoa.
    Em relação ao Fabiano, ele esbanjou ingratidão. Meu pai serve comida, junto a um grupo aqui em Sorocaba, aos sem teto e menos favorecidos e tem sim MUITAS pessoas que agem arrogantemente, como se fossemos obrigados a serví-los e limparmos tudo o que fazem só pelas nossas condições. Sequer perguntam como estamos, dão “bom dia”… Simplesmente olham para nós com nojo (já passei por isso).
    Não adianta vir de nós toda a humildade e tentarmos ajudar uma pessoa que sequer sabe falar “obrigado” ou “por favor”.
    Há exceções, claro, mas infelizmente não há como saber quem realmente merece.
    No caso do Fabiano, ele está confortável na situação dele e é onde ele tem que ficar. Infelizmente a entrega foi feita e a insatisfação, ingratidão e desafeto reinou nesse homem.
    O que acontecerá agora é bola pra frente e procurar pessoas que serão realmente gratas ao que fazemos por elas para continuar essa corrente e não deixar que esses obstáculos parem com ela.

    1. Não contem com uma atitude que corresponda à suas expectativas cristãs de uma pessoa que vem de um contexto de vulnerabilidade social extrema como é a vida na rua. O comportamento de Fabiano é só um símbolo deste universo. Busquem transcender sua cosmologia, modo de vida e educação formal para poderem assumir de fato a perspectiva do outro no contato que buscarem, pois senão viverão frustrados porque a pessoa “não entendeu” sua boa intenção.

  5. Acho que começou a se perder aqui o que realmente valeu, que foi o sucesso do evento em si, de conseguir juntar tantas pessoas solidárias, arrecadar o dinheiro necessário e mais um pouco, para poder comprar o carrinho e ajudá-lo.
    Ficar aqui questionando a reação do Sr. Fabiano e das organizadoras do evento, é dar tiro na água. Questionar o respeito que todos tiveram em relação a ele é estar por fora do que aconteceu e do que fizeram. A gratidão é algo que naturalmente esperamos das pessoas que ajudamos, porém não podemos obriga-la. Mas como já disse, questionar todo o respeito, empenho, dedicação das organizadoras do evento, principalmente a preocupação diária que acompanhei da Ludmilla, é uma total falta de respeito com quem participou disso.
    O importante que o evento, em si, concretizou-se. O fato dele não ter aceitado, só incorre no ganho de outro morador de rua em poder usufruir de um carrinho novo, bonito e que irá o ajudar muito.
    Quanto ao Erick, tenho desprezo pelas suas palavras, que provavelmente é só isso que você tem.
    Abraços.

  6. Antes de mais nada gostaria de dizer que é muito fácil ficar com a bunda grudada na cadeira lendo notícias na internet e ficar disparando opiniões que a princípio (e aos desavisados) pode parecer cheia de conteúdo, ideias avançadas sobre como a sociedade funciona, uma aula de pscologia sobre como mesmo que seja cheia de boas intenções as pessoas não sabem das coisas e bla bla bla. No fundo, não passa de um discurso VAZIO de quem fala muito sobre melhorar a sociedade mas não levanta a bunda da cadeira, não ajudar ninguém. Se vocês se acham tão inteligentes e tem a solução pro problema, porque não resolvem então?

    Dito isso, não vou repetir o que já foi dito – exaustivamente – na notícia, nos comentários, no facebook e entre as pessoas. Mas vou dar minha opinião de quem esteve presente. Moro na rua em que ele sempre fica e já ajudei seu Fabiano algumas vezes, quando um amigo me convidou para o evento achei a iniciativa SENSACIONAL. Sei bem como a voda de todos anda muito corrida e ver que alguém teve bom coração pra utilizar seu pouco tempo disponível pra ajudar alguém que vejo numa situação tão triste todos os dias. Ajudei a divulgar o evento e só posso imaginar o trabalho que deu fazer tudo aquilo. Acompanhei todos os comentários e discuções sobre a viabilidade do projeto. Sei que foi feito tudo da melhor forma possível. Não foi só uma questão sobre a melhor FORMA de fazer mas também sobre FORMA VIÁVEL.

    Uma pessoa realmente tem o direito de fazer, querer e agir como bem entende. Ele tinha todo o direito de fazer o que fez. E elas tinham todo o direito de continuar passando todos os dias por ele sem dizer nada. Todos tem todo direito a suas opiniões. Elas, resolveram tentar ajudar. Ele, resolveu ser ingrato. Vocês, resolveram apontar o defeito alheio.

    Pra resumir, o projeto está de parabéns. O mundo está cheia de pessoas escrotas; algumas são ingratas, outras adoram apontar o dedo na cara alheia, mostrar sua suposta superioridade e não fazer nada de útil. Outros, são boas pessoas que dão o que podem pra um mundo melhor. Levem isso em consideração antes de atacar alguém sem nenhum motivo plausível novamente.

  7. Queria parabenizar a iniciativa da mulher de tentar ajudar o morador de rua, tentando ajudar e fazer o melhor para ele.
    Já a entrega do carrinho, que coisa desagradável né. A mulher fez uma ação, envolveu muitas pessoas para dar algo bom pra pessoa e ela faz isso. Claro que ele tem o direito dele de recusar por não estar do jeito que pediu, porém, deveria ter entendido que aquilo seria muito melhor do que algo com 4 rodas.
    E parabéns pela matéria muito bem escrita.

  8. Primeiramente achar pessoas que se importam com moradores de rua é algo quase impossível, pelo menos na cidade na qual habito. Eu acho que no mínimo ele deveria ser menos ingrato. Sei que muito de nós já ganhamos presentes na qual não gostamos também, porém temos a opção de ir na loja e trocar por algo que nos agrada. Diferente dele que especificou como queria e a unica coisa que não conseguiram foram as outras duas rodas, mas a organizadora já fez o possível para dar o carrinho de ferro e não duvido que ela tenha se virado nos trinta também para achar um com quatro rodas. Mas para quem não tem nada isso é uma ajuda e tanta né? Como li na matéria foi difícil conseguir um carrinho nessa proporção. Assim como ele tem direito de falar o que quer sendo o sincero, ele podia usar essa sinceridade logo de primeira ter recusado o carrinho e sendo assim o projeto poderia doar para outro morador cujo tem a mesma necessidade. Ou seja ela é morador de rua porém não é humilde, nunca irá agradecer o pouco e o muito nunca sera o suficiente. Se somos solidários acontece esse tipo de problema, se não somos é por que somos ignorantes, a sociedade é uma verdadeira hipocrisia!

  9. Acho incrível a habilidade de certas pessoas em criticar ou opinar se fomos assertivos ou não nas decisões feitas. Mais uma vez eu digo !!! Muito fácil ficar sabendo do ocorrido dentro de casa com a bunda sentada no sofá. Quer dá opinião ? Faça melhor e dê o exemplo por favor. Não vou entrar no mérito sobre a atitude dele, pois felizmente não passo nem perto da situação que ele se encontra, não sei o que esse homem passou na vida (verdadeiramente e em detalhes) para tomar uma atitude dessa. A única coisa que tenho certeza mesmo, porque costumo ajudar as pessoas que realmente necessitam é que elas não costumam escolher nada, é uma questão de oportunidade dada, coisa que é raro de acontecer, você parar por um segundo e enxergar esses pobres seres sem oportunidades na vida.

  10. Meus parabéns ao ato de humanidade, sei que não deu certo, mas fazer o que né. Precisamos de pessoas mais humanas como vc e menos pessoas que ficam julgando só por julgar e que falam um monte de abobrinhas para justificar o que o outro pensa (engraçado isso né). Senhora ou senhorita advogada eu fiquei muito feliz pelo seu ato, pois no mundo em que vivemos hoje é a cada dia mais raro ver algo parecido acontecendo. Novamente meus parabéns!!

  11. Há cerca de um mês eu e meu marido participamos de um projeto de uns alunos da Faculdade Anhanguera de Valinhos. Nós participamos de um projeto para entrega de alimentos a moradores de rua. Seu Fabiano recebeu alguns alimentos e durante uma conversa com um dos alunos, ele o agrediu com um cabo de telefone… e no fim jogou os alimentos doados no meio da rua…. Criticas aparecem de todas as formas e maneiras, existem ‘n’ motivos para o Seu Fabiano ser como é…… mas depois dessa experiência, eu me perguntava se ele passa pelas necessidades porque não tem opção ou porque simplesmente não quer mudar de condições….hoje, lendo esse relato, obtive a minha resposta.

  12. A iniciativa e a execução não poderiam ter sido melhores e, infelizmente, o objetivo não foi atingido. Da forma como a história está apresentada, tenho certeza que tentaram explicar para o Sr. Fabiano o porquê das alterações. Ao invés de ficar tentando atribuir culpa, gostaria que o Sr Fabiano se contentasse de saber que ainda existem pessoas boas, que se preocupam com o próximo, e que a Ludmilla pudesse se sentir mais feliz por ter tentado ajudar com tanta vontade e respeito.

  13. Não creio que tenha sido um fracasso, uma vez que a própria mobilização em prol de outra pessoa é louvável. A ideia central é fazer o bem sem olhar a quem e não esperar nada em troca. O morador de rua já vive a margem da sociedade, o que não dá o direito de exigir solidariedade de ninguém, mas “justifica” a ausência de gratidão. Parabéns pela iniciativa!

  14. Linda organização, porém se tratando de autonomia individual o pedido deveria ser atendido da forma que Seu Fabiano pediu. Apesar da preocupação dos organizadores pelo bem estar o morador de rua, não existe ninguém melhor que ele mesmo para saber das necessidades do seu contexto.

  15. Ação da moça em ajudar: louvável! Mas não era o tipo da qual ele precisava, nem ao menos havia pedido. Era só fazer o carrinho conforme ele havia informado. Mas ao modificar, a ajuda deixou de ser como tal.

  16. Dar um presente são dois movimentos: o de estender a mão com o presente para o outro e o de soltar o presente com o presenteado e voltar a mão para si. Ou seja, a intenção foi boa, mas se foi uma doação, é direito dele fazer o que bem entender com o carrinho se não serviu para ele, afinal, já não era mais de quem doou e sim dele!
    Que bom que outra pessoa pôde usufruir do esforço da moça! Ela não precisa ficar triste por isso…

  17. Esse argumento de bunda no sofá tb é muito fácil de se propor do que ouvir criticas que pelo que vi (principalmente as do Mauricio), foram muito bem colocadas. Não houve julgamento da autora do projeto ou imposição para que ela não fique chateada, o que vi foi uma proposta sincera de um olhar diferente da situação. Da mesma forma acho justo dar um tempo e refletir, como tb acho legítima a chateação, há horas de “bunda no sofá” e horas de ação, talvez a questão é aprender um pouco com isso e não simplesmente colocar que quem critica não faz nada, o que pode não ser verdade , ou mesmo se for verdade não tira legitimidade de quem fala algo coerente.

  18. Lindo o que essa advogada fez, lindo mesmo! Acredito que quem está criticando a ação dela, provavelmente não levanta um dedo pra tentar melhorar pelo menos 0,1% desse mundo. Parabenizo também todos os doadores, sem eles não teriam conseguido o DINHEIRO para comprar o carrinho. Creio que algumas pessoas estejam passando por dificuldades (como Seu Fabiano) por não aceitarem ajuda ou apenas por puro capricho (se é que me expressei bem). Se o carrinho não foi entregue da forma que ele queria, não foi por má vontade das pessoas que estavam ajudando, e sim porque o carrinho poderia ser recolhido (acredito que por restrições de alguma lei, não entendo muito bem) e ele ficaria sem nada novamente. Não é qualquer pessoa que tem intenção e disposição de ajudar como essa moça fez, ele deveria aceitar o presente mesmo que não fosse da forma como queria (com certeza o ajudaria). Acredito que tem pessoas tão egoístas, que até quando estão sendo ajudadas fazem um desgosto desse e por isso vão continuar na mesma vida até que um dia mude sua forma de pensar. O melhor de tudo isso, é saber que o carrinho foi pra alguém que acredito ser merecedor dele e que vai fazer bom uso. Isto é, a vaquinha não foi em vão!

  19. Vi o empenho e dedicação de diversas pessoas quanto à ajuda ao Sr. Fabiano, mas não sabia como tudo havia concluído; vendo agora o “desfecho” e a movimentação gerada para ajudá-lo, parabenizo a iniciativa e aos doadores/participantes. É tremenda a felicidade que sinto quando vejo pessoas com suas vidas para cuidar, mas mesmo assim motivadas em ajudar o próximo. Parabéns, galera!

  20. Primeiro que através das informações era inviável, ou até poderia ser viável com um auto custo.
    “Segundo orientação da Prefeitura Municipal de Campinas, não ha restrições quanto ao carrinho considerado carriola (com duas rodas), mas o de quatro rodas poderia ser recolhido em caso de incomodo ao trânsito e/ou pedestres.” Acho que apenas isso dispensa qualquer argumento.
    Tentaram oferecer uma melhoria para a vida desse homem, a opção foi dele.

  21. Vou ousar aqui a dar minha opinião de Assistente Social. Quem está mais frustrado a Advogada que não teve seu “esforço” recompensado com o agradecimento do “catador” chamado na matéria de mendigo? Ou o “catador” que em sua condição de rua, pelo seu “sonho” de ter uma carroça de quatro rodas que lhe exigiria menos esforço físico, ter sido frustrado (uma frustração a mais em sua vida de frustração)???
    Ela não sabe mas teria feito TODA A DIFERENÇA se ela o tivesse consultado sobre o fabrico da carroça e assim ela teria noção do porque ele querer uma carroça de 4 rodas (mesmo que não fosse possível ele teria tido o direito de opinar e assim sentir-se parte ativa da “caridade” e não mero receptor do benefício. Interagir com uma pessoa em condição de rua e vê-la para além das aparências. Nem toda/o pessoa (quer seja morador/a de rua ou não) mostra gratidão ou reconhecimento pelo “bem” que recebe. Ou não é verdade? Então porque a frustração por ele ter se mostrado tão MAL AGRADECIDO”?
    Ela é uma Advogada e NÃO TEM OBRIGAÇÃO NENHUMA DE SABER que o usuário em questão NÃO TEM NENHUMA OBRIGAÇÃO DE SENTIR- SE AGRADECIDO! Mas que bom que ela não tenha desistido de fazer sua “caridade”, mas ajudaria muito que fizesse levando em consideração “as considerações” de quem realmente queremos ajudar. Se ela tivesse conversado com um/a AS provavelmente teria recebido maiores informação sobre esse usuário da Assistência Social: quem é, se tem distúrbios mentais, etc.

  22. Eu já realizei pesquisas com população de rua e sei que o carrinho de 4 rodas faria que o peso não recaísse sobre ele, ele apenas empurraria e o carrinho de 2 rodas faz com que ele seja como um cavalo puxando uma carroça. Realmente quem resolveu diferente é porque nunca carregou um carrinho. Eu nunca carreguei um, mas convivi muito tempo com muitos moradores de rua (ouvindo-os realmente) e sei que isso muda tudo. E a madeira do fundo do carrinho se desgasta com o tempo (apodrece com chuvas e líquidos diversos além de absorver odores) e o metal não.

    1. O Sr. Fabiano tem dessas mesmo. Meio imprevisível como qualquer ser humano pode ser. Concordo muito com as colocações do Marcio, compreendo o estado da advogada, mas concordo que ela, querendo continuar com este trabalho, deve ter mais sensatez emocional e ajustar suas expectativas sobre os efeitos de sua solidariedade. O Sr. Fabiano não é o único morador de rua assim, a maioria deles é vulnerável demais, e não é pra menos. Acredito que se ela tivesse falado com ele antes da confecção do carrinho, que o mesmo poderia ser feito somente naquelas condições, possivelmente teria evitado o desfecho daquele jeito. Mas independente disso, oras ele tem sim direito de abrir mão daquilo que não lhe for conveniente, e a ‘falta de educação’ com a qual ele “aceitou” o presente, é sim um reflexo da forma como nossa sociedade trata pessoas como ele. Sr. Fabiano com certeza tem seus motivos para ser como é e agir como age, assim como a advogada tambem tem seus motivos para querer ajudar tanto pessoas como ele…
      O fato é que temos o costume de esperar o reconhecimento de nossas boas ações, e esquecemos que não estamos neste mundo para satisfazer as expectativas dos Fabianos e Fabianos tambem não estão aqui para satisfazerem as nossas expectativas.

      1. Diga-se de passagem que concordo plenamente com Mauricio (e não Marcio, como eu havia escrito) e com o Jordan. Erick tambem está certo, apenas se colocou de uma forma meio grosseira, talvez.
        Já o pensamento da Marywork, quão cretino, não?!
        Se tudo o que temos na vida fosse por merecimento, talvez muitos não teriam mais o ar para respirar. Um coração disposto a ajudar com amor e sinceridade, não se deixa ser vencido pelo descaso.

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