Negociação é essencial para a profissão de curador

Crédito: Nathani Mota
Crédito: Nathani Mota
Hebert Gouvea, Tiago de Abreu Pinto e Cesar Fujimoto no encontro “Relatos e Experiências” (Crédito: Nathani Mota)

Por Nathani Mota

O Instituto de Artes (IA) da Unicamp promoveu ontem (21/08) um encontro com jovens curadores e artistas para conversar sobre o mercado de curadoria contemporânea. Nesse primeiro encontro, a professora de artes plásticas Sylvia Furegatti convidou Tiago de Abreu Pinto, Hebert Gouvea e Cesar Fujimoto, que apontaram a negociação como elemento principal para uma exposição e para o sucesso profissional.

Os profissionais que participaram do debate são classificados como “artista-curador” ou “curador-artista”, porque desenvolvem trabalhos autorais e tem experiência com curadoria, mas ao longo da conversa se afastaram da definição e afirmaram que o caráter líquido da carreira artística é uma marca da geração a que pertencem. Cesar Fujimoto se define principalmente como um artista e afirmou que a curadoria é uma chance de ter contato com outras experiências, se abrir para situações diferentes e conhecer outros trabalhos artísticos.

Fujimoto é um artista paulista conhecido por trabalhar com tijolo e cimento e disse ao público presente que a relação entre o curador e o artista é um embate, mas deve ser um trabalho essencialmente de negociação, para que exista uma troca de ideias entre ambos.

Nesse sentido, Hebert Gouvea, curador da galeria Fernandes Naday e integrante do grupo Paralelo de arte contemporânea, acredita que a curadoria de um artista para outro artista pode dificultar, “no sentido de eu me meter no trabalho deles. O tempo todo existe essa preocupação, é perigoso. Eu tenho minha linha de pesquisa de um trabalho clássico e eu tenho uma linha de pesquisa do meu trabalho curadorial, elas se convergem em um momento? Se convergem. Mas em nenhum momento eu posso me meter e sobrepor ao trabalho daquele artista” afirma.

Tiago de Abreu Pinto, curador que trabalha em Madri há 6 anos, considera a dialética importante para minimizar as dificuldades dessa relação. Abreu Pinto conta que, na maior parte dos seus projetos, a conversa com os artistas acontece por mais de um ano e isso é imprescindível para respeitar a obra, o artista e o espaço físico, onde a obra será inserida.

O próximo encontro do projeto “Relatos e experiências” acontecerá no dia 27 de agosto às 16h na Sala AP07 no Departamento de Artes Visuais do IA na Unicamp. Nesse segundo momento, os curadores Claudio Matsuno e Gustavo Torrezan levam sua experiência prática para o espaço universitário.

Editado por Caio Coletti

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