Composição dos preços no mercado interno, torna Brasil um dos países mais caros do mundo

Por Victor Donato

O mercado brasileiro vai bem. A indústria automobilística continua batendo recorde atrás de recorde no número de vendas, e segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), para o ano de 2014 foi projetado o crescimento de 1,1% nas vendas de veículos. Em outro setor, as vendas de eletrônicos mais que dobraram, para se ter uma ideia, a venda de smartphones cresceu 110% de 2013 para 2014, segundo consultoria especializada IDC. Esses segmentos de mercado são dois exemplos de como o comércio brasileiro vai bem, porém os números mascaram um fato preocupante, a composição dos preços no Brasil.

Victor

É logico pensar que se as vendas vão bem, não há motivo para abaixar o valor das mercadorias, mas a verdade é que os preços praticados atualmente no Brasil estão entre os maiores do mundo. “Infelizmente quem não tem chance de comprar produtos fora do país, acaba se sujeitando aos abusos do Brasil”, é o que diz a administradora de empresas, Carla Novaes. Contudo, a maioria dos bens não podem ser comprados fora do país, ou, muitas vezes, a compra em território estrangeiro acaba sendo inviável.

O senso comum diz que os preços são derivados da carga tributária brasileira, porém esse não é o único fator. O economista Antônio Carlos Lobão, explica que a alta carga tributária é um dos fatores para a composição dos preços, mas não o único. “O preço final varia muito, dependendo da categoria do produto. No caso das bebidas alcoólicas, é o imposto que pesa, mas para outros produtos, os gargalos da infraestrutura (Custo Brasil) são mais importantes”. Lobão completa dizendo que nem tudo é culpa exclusivamente do governo. “Os preços dos carros nacionais são caros devido as altas taxas de lucro das montadoras, e não por impostos”.

O Custo Brasil é um termo usado por englobar uma série de fatores, que juntos, determinam parte dos preços das mercadorias e dos alimentos no país. Esses fatores são responsáveis também por prejudicar a competitividade do produto brasileiro no cenário internacional, visto que o custo é um adicional ao padrão. Exemplos do custo Brasil são: infraestrutura precária da malha de transportes, o que acaba atrasando a entrega de produtos; Baixa qualidade educacional e falta de mão de obra qualificada; Altos custos trabalhistas; Custo e desperdício da energia elétrica e da água; entraves burocráticos; e por fim, alta carga tributária. Portanto a culpa não é só de impostos.

Em 2013, as más condições rodoviárias foram responsáveis por elevar os gastos em combustíveis em 1,4 bilhões de reais, segundo pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte).

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em pesquisa inédita, divulgou que no segmento dos produtos agrícolas, o Custo Brasil é responsável por 36% de aumento dos preços de produtos, em comparação com seus similares fabricados na Europa ou nos Estados Unidos.

O governo, nos últimos tempos, a partir da crise de 2008, sinalizou com a diminuição temporária de impostos como o IPI. A medida visava reduzir os preços dos produtos, estimulando o consumo e a produção de empregos, porém para o consumidor final, o preço nunca se alterou de fato. Segundo Lobão, “a medida do governo foi correta, porém as indústrias usaram a redução dos impostos para aumentar a margem de lucro, e não repassaram para o consumidor os descontos”. A atitude tomada pela indústria se justifica pelo fato do consumo nunca ter caído. Se a população continuava comprando, não existia motivo para a redução dos preços, a famosa lei da oferta e demanda.

 

Editado por Marcela Casagrande

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