Simpatias passadas de geração em geração mantêm tradição de Santo casamenteiro

Por Camila Correia

Milhares de devotos lotam as missas de Santo Antônio no dia 13 de junho (Foto: Camila Correia)
Milhares de devotos lotam as missas de Santo Antônio no dia 13 de junho (Foto: Camila Correia)

“Olhe o santinho de perto e diga que, enquanto ele não lhe arrumar um namorado, ficará na geladeira. Depois, ponha-o no congelador. ”. Essa é apenas uma das muitas de simpatias para Santo Antônio. Segundo a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Santo Antônio ganhou a fama de casamenteiro porque ajudava moças humildes a conseguirem dote e enxoval para o casamento. Apesar de todo o mês de junho ser bastante trabalhoso para o Santo, é especialmente no dia 13 que muitas solteiras em busca da alma gêmea se dedicam em fazer simpatias para conseguir um namorado ou marido.

A estudante de jornalismo Aline Saluotto, 22,por influência da madrinha devota fervorosa do Santo, faz simpatias desde 2008. Como manda a tradição, a imagem que Aline tem do Santo casamenteiro não foi comprada, mas dada de presente pela mãe no ano retrasado. Além disso, a estudante moradora de Piracicaba (SP), cidade que tem o Santo Antônio como padroeiro, não perde nunca a distribuição de bolo e pão na igreja matriz.

“Este ano, como não pude ir à igreja, minha madrinha já levou um pedaço do bolo para a minha casa. Nunca achei a medalha, mas o importante é não desistir!”, incentiva a futura jornalista. Apesar de ser assídua nas simpatias, Aline acredita que a melhor alterativa é não criar expectativas. “A intenção das simpatias é conseguir conquistar alguém ou fazer algum outro pedido específico, mas não podemos jogar tudo para o Santo. Ele dá um empurrãozinho, nós que temos que ir guiando”, ressalta.

Apesar da tradição das simpatias ser antiga, ela resiste até os dias atuais porque a maioria das devotas do Santo Antônio, assim com a madrinha de Aline, fazem questão de passar a tradição às próximas gerações. As filhas, sobrinhas e netas, por sua vez, ainda que não acreditem tão fervorosamente no poder casamenteiro do Santo, acabam seguindo a tradição por já estarem habituadas a este cenário. Além disso, o Santo Antônio tornou-se uma figura popular. Por exemplo, a simpatia de colocar a imagem de cabeça para baixo dentro de um copo contendo água ou cachaça e prometer que vai deixar o santinho nessa triste situação até encontrar seu amor é conhecida pela maioria das pessoas.

Em Campinas, a distribuição do bolo e pães do Santo casamenteiro foi por conta da Paróquia de Santo Antônio, no bairro Ponte Preta. Este ano, o doce teve 150 metros de comprimento, 20 a mais que o ano anterior, e se rendeu ao clima da Copa do Mundo ao levar as cores verde, amarela, azul e branco. Segundo o Pe. Antonino Fernandez, foram colocadas 2,5 mil medalhas do santo no bolo. Pela primeira vez, em todos os 17 anos de distribuição, todos os devotos que foram atrás do bolo conseguiram levar um pedaço.

A estudante de jornalismo Aline Saluotto junto com o seu presente de Natal do ano retrasado
A estudante de jornalismo Aline Saluotto junto com o seu presente de Natal do ano retrasado (Foto: Divulgação)

 

 

 

A tradição diz que quem encontrar a medalhinha no bolo vai casar rapidamente ou conseguir uma graça divina (Foto: Camila Correia)
A tradição diz que quem encontrar a medalhinha no bolo vai casar rapidamente ou conseguir uma graça divina (Foto: Camila Correia)

 

Editado por Marcela Casagrande

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