“É uma atitude de desespero”, afirma biólogo sobre nebulização

Por Claudia Müller

O Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde em Campinas informou que o número de casos confirmados de dengue, de 1º de janeiro a 29 de maio, é de 29,5 mil, além de 5,6 mil que estão sendo investigados. Para biólogo da Unicamp, nebulização não é eficiente.

Segundo o professor de biologia do Instituto de Biologia da Unicamp Carlos Fernando de Andrade, esse número pode ser até cinco vezes maior do que o apresentado oficialmente. “O que é possível fazer diante dessa realidade é esperar as condições climáticas mudarem porque a nebulização não é eficiente, o inseticida não chega onde o mosquito está, é uma atitude de desespero”, explicou Andrade.

De acordo com o especialista, Campinas está na contramão do país na evolução dos casos, já que o Ministério da Saúde anunciou redução nacional de 80% no número de doentes, por questões regionais. “Há duas décadas a população de Campinas não entra em contato com o vírus do tipo 1, que está na região atualmente, por isso vivemos uma epidemia, as pessoas não tem anticorpos”, explicou.

Quem foi contaminado com o vírus este ano, segundo o especialista, estará imune nos próximos cinco anos. Por isso, cerca de 30 mil pessoas não serão acometidas pela doença no ano seguinte. “Provavelmente não haverá epidemia de dengue no ano que vem, a menos que o tipo do vírus mude”, afirmou.

A nebulização consiste na aplicação de veneno contra o mosquito nas residências. Essa proteção pode ser feita com uso de um veículo (nebulização veicular) ou por um agente (nebulização costal).

Proteção

As pessoas podem se proteger da epidemia, entretanto, ao fechar janelas com telas, usar repelente e protetor nas caixas d’água, segundo o professor. “A prefeitura deve continuar com as campanhas de conscientização”, comentou.

Andrade também afirmou que as “pendências” na fiscalização dos criadouros também são um problema. “Em certos bairros, os agentes não conseguem entrar em 40% das casas, então uma casa pode proliferar o mosquito em um bairro inteiro”, explicou.

“As pessoas não estão imunes ao tipo de dengue que está circulando, mas é culpa da população o aumento do mosquito”, declarou o biólogo.

Nebulização não atinge o mosquito, segundo biólogo
Nebulização não alcança o mosquito, segundo Andrade (Foto: Claudia Müller)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Editado por: Lara Huttembergue

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