Cai o número de crianças em abrigos, mas a fila de adoção ainda é grande em Campinas

Por Lucas Bachião

De 2010 pra cá, Campinas teve uma queda de aproximadamente 11% do número de crianças que vivem em abrigos.  Há quatro anos, segundo a coordenadora da Proteção Social Especial de Alta Complexidade (Criança e a Adolescente) Maria José Geremias, haviam 522 crianças residentes em abrigos, o número parcial deste ano é de 466 crianças.

De acordo com a Vara da Infância e Juventude, cerca de 409 famílias campineiras estão na fila de espera para adotar uma criança. A cidade possui 26 entidades de acolhimento, que é uma  medida de proteção excepcional e provisória, aplicada por autoridade judicial, conforme diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Brasil conta com  mais de 2.247 entidades de acolhimento.

Mais de 80% dos encaminhamentos de crianças e adolescentes a abrigos no Brasil  estão vinculados à dependência química dos pais. Entre 2012 e 2013, segundo o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), mais de 28 mil crianças sofreram negligências ou foram abandonados no País.

A  estudante de jornalismo Larissa Alves, foi adotada pelos pais quando tinha apenas um ano de idade. Nascida em Pirassununga, interior do estado,  a universitária enalteceu o carinho e o apoio dos pais adotivos e disse não ter vontade  de procurar seus pais biológicos. Larissa disse que seus pais sempre demonstraram muito amor com ela, igualmente com seus irmãos, com os quais ela tem uma relação fraternal  “Quando eu tinha 4 anos, a minha mãe  me chamou para conversar. Ela disse que eu era de outra família, mas que não nasci na barriga dela. Lembro muito bem dela falando do amor que tem por mim. A relação com os meus irmãos é super tranquila e não tem nenhuma diferença. A gente briga, conversa, damos conselhos um para o outro. Eu não trocaria a minha família por nada neste mundo. O que eu sou hoje, devo tudo a eles. Agradeço aos meus pais biológicos por terem me colocado no mundo, mas amo demais essa família com que convivo diariamente. Acho que os meus pais verdadeiros, nem sabem onde eu estou ou  quem eu sou. Se eles me encontrarem um dia, eu conversaria normalmente, só que não gostaria de ter nenhum tipo de vínculo, porque a minha família adotiva me acolheu muito bem”, afirmou a futura jornalista.

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Larissa Alves, foi adotada quando tinha um ano de idade (Foto: Lucas Bachião)

A enfermeira Luciane Vaz foi abandonada pelos pais quando tinha  5 anos de idade. A mineira explica que isso ocorreu, porque o seu pai não queria ter uma filha mulher e os seus pais eram de origem cigana. Ela conta que já encontrou o seu pai quando tinha 25 anos de idade, mas o  encontro com o pai foi estranho,ela admitiu que não teve vontade de conhecê-lo. Luciane afirma que não perdoaria o seu pai biológico, caso o reencontrasse mais uma vez. “O motivo do abandono foi, porque o meu pai não queria ter uma filha mulher. Eu só perdoaria a minha mãe biológica e sinto que ela não queria me abandonar, porém foi forçada por ele. Só conheci o meu pai, após conversar com a minha mãe adotiva, mas achei ele uma pessoa estranha. Não conheço a minha mãe, porque ela tinha largado dele faz tempo. Quero conhecê-la  um dia”, ponderou a enfermeira.

 

Luciane Vaz com a sua mãe adotiva, Maria Luíza (Foto: Reprodução/ Facebook)
Luciane Vaz com a sua mãe adotiva, Maria Luíza (Foto: Reprodução/ Facebook)

Anderson  Paulino tem 25 anos de idade e foi abandonado pelos pais aos 5 anos de idade. Ele conta que os seus pais eram alcoólatras e ainda sente raiva por terem sido  afastados na infância. O jovem  chegou a morar em um abrigo durante 12 anos. “Tenho muita raiva dos meus pais por terem me abandonado. As pessoas que mais me ajudaram foram o Dr. Sebastião e a Cidinha do Fredo.  Se os meus pais me procurarem um dia, não tenho intenção nenhuma em conversar com eles e nem quero voltar a morar. Estou muito bem hoje. Como sou santista, o meu sonho é conhecer o CT do clube e o estádio Vila Belmiro”  concluiu Anderson.

Editado por: Carol Estevam

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