Designer gráfico cria aplicativo que ajuda mulheres a denunciar abuso sexual no transporte público

Por Natália Mitie

Foto: Natália Mitie
O designer conversou com 25 mulheres de idades diferentes para entender as dificuldades enfrentadas em transporte público lotado (Foto: Natália Mitie)

De acordo com uma pesquisa da Flurry Analytics, o uso de aplicativos cresceu 115% em 2013. Foi pensando neste aumento e na repercussão dos casos de abuso sexual no transporte público que o designer gráfico Edgar Alves Ribeiro criou o aplicativo “Griite”. “O objetivo do aplicativo é ajudar a apontar e punir os agressores em poucos segundos. Ou seja, a intenção é inibir os abusos através da massificação da informação”, explica Edgar.

O aplicativo foi criado para ser simples e de fácil acesso a todas as mulheres, independente de idade ou nível de instrução. O processo de denúncia é iniciado através de um simples toque, uma vez que o aplicativo fica “armado”. Segundo o designer, o sucesso do projeto depende da veracidade das informações declaradas. “Uma das minhas principais preocupações durante o desenvolvimento do projeto foi como evitar falsas denúncias, possíveis equívocos, retaliações e constrangimento às usuárias”, conta.

O aplicativo

 O funcionamento do aplicativo preza pela facilidade do uso. “O botão central fica posicionado de maneira que o processo possa ser feito discretamente, com a mão escondida dentro da bolsa. Acionado, a câmera é ativada e o aparelho vibra avisando que está pronto para a foto. É possível selecionar apenas o rosto do possível agressor na foto”, esclarece Edgar.

A denúncia fica à espera de confirmação e, após 30 minutos, a mulher recebe uma mensagem orientando-a como complementar a denúncia com mais algumas informações. Automaticamente, todas as denúncias estão configuradas como anônimas. Caso a vítima pretenda dar andamento à denúncia junto às autoridades, é necessário selecionar a opção “denúncia identificada”.

Há quatro meses neste projeto, o designer conversou com 25 mulheres de idades diferentes para entender as dificuldades enfrentadas por elas dentro do transporte público lotado. Ele também buscou orientações junto a especialistas sobre casos de abuso e comportamento da vítima. “A recomendação mais comum é gritar, chamar a atenção ou procurar um funcionário”, afirma. “Daí que surgiu o nome “Griite”, precisava transmitir reação na essência da palavra”, ressalta Edgar.

Ainda em fase de finalização, inicialmente o “Griite” estará disponível para o sistema Android (gratuito) e a única exigência será o cadastro na página do aplicativo. A expectativa do designer gráfico é de que o Metrô (São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre ou Brasília) se interesse pelo projeto. Hoje, para fazer denúncias de abuso sexual no Metrô da capital paulista é necessário enviar um SMS-Denúncia para (11) 97333-2252 ou informar um funcionário.

Divulgação
O aplicativo foi projetado para o fácil acesso em transporte público lotado (Foto: Divulgação)

 

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Após confirmação da denúncia, a mulher é orientada a fornecer mais informações (Foto: Divulgação)

 

Editado por Camila Correia

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