Brasileiros fazem “bico” para complementar renda familiar

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André Luiz Marchioni toca acordeon no final de semana com a banda

Por Lucas Bachião

Muitos brasileiros além de terem empregos fixos têm procurado outro meio para se sustentar. É cada vez mais comuns encontrar pessoas que realizam o “bico” para complementar a renda familiar. Seguranças, vigilantes, porteiros, entre outros se encaixam nesse perfil, já que buscam essa alternativa como um trabalho extra. Em 2013, cerca de 13,9 milhões de pessoas trabalham no setor informal. Segundo a pesquisa do IBGE  (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),  realizada em 2012, aproximadamente 66,4%  das mulheres não possuem carteira assinada. De acordo com a mesma pesquisa, o Pará é o estado que mais tem trabalhadores informais. O número da população paraense que trabalha no setor informal corresponde a 67,5%.

Dimas Pereira Silva faz “bico” como segurança desde 1974, quando na época havia acabado de completar 18 anos de idade. Silva relata que nunca teve emprego fixo.  Atualmente, ele faz serviço durante 12 horas por dia e trabalha em três lugares diferentes. O que chama atenção nessa história, é que ele não dorme ao longo da jornada e passa um dia e meio trabalhando fora de casa, ou seja, o total da sua atividade chega a 36 horas. O segurança conta que  recebe aproximadamente R$ 1300 nos locais onde trabalha.  “Eu faço esse trabalho de bico, porque eu gosto e não tenho paciência de ficar parado em casa. Os meus objetivos são ter uma casa própria, ter meu carro, ajudar a minha família e os meus filhos. A minha pretensão é aposentar, trabalhar menos para passar mais tempo com a família e ter mais tranquilidade”, afirmou o segurança.

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Dimas Pereira Silva faz bico em três lugares diferentes (Foto: Lucas Bachião)

O número de brasileiros que ficaram inadimplentes em 2013 soma 5,9 milhões de pessoas. É o caso do comerciante Márcio Ribeiro, que começou a fazer bico para  pagar as contas e não quer pertencer mais na lista dos endividados . Ribeiro relata que após ter o trabalho extra, a sua engenharia financeira melhorou. Ele trabalha como porteiro em um condomínio, que fica no Cambuí.  “Dependendo do mês, chego a ganhar R$1600 reais e isso dá uma boa ajuda financeiramente. O dinheiro que recebo, eu procuro economizar sempre e busco pagar as contas para não ficar endividado como antigamente. O problema de fazer bico é o cansaço”,  disse  Ribeiro.

Quem também faz o serviço de bico, é André Luiz Marchioni – editor de áudio da PUC-Campinas. Nos finais de semana, Marchioni costuma fazer o trabalho extra tocando música com a sua banda em bares ou casas noturnas. Ele chega a ganhar cerca de R$ 450 por mês durante os shows.  “O bico ajuda a pagar as contas do final do mês, porque nem sempre o salário que recebo aqui,  é suficiente pagar as despesas. Quando tem semana que não temos shows, faz falta esse dinheiro. Já deixei de ir casamentos de amigos, aniversários de família para fazer esse bicos. Outro ponto negativo é que você deixa de conviver mais com a família. Sempre que posso levo meus filhos e minha esposa ao shows para ver a nossa apresentação”,  finalizou  André.

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André Luiz Marchioni trabalha como editor na PUC há 3 anos

 

Editado por Priscila Jordão

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