Judeus celebram os nove dias de Pêssach

Por Claudia Müller

Os judeus não celebram a Páscoa do mesmo jeito e pelas mesmas razões que os católicos. Para os descendentes dos hebreus, a festa se chama Pêssach e remete ao período em que eles sofreram com a escravidão no Egito, há 3500 anos. A celebração começou no dia 14 e será realizada até o dia 22.

Para a religião judaica, a primeira comemoração teria acontecido por intermédio de Deus, que enviou pragas ao povo egípcio por manterem os judeus, o povo escolhido, como prisioneiros. Antes da décima praga, o profeta judeu Moisés instruiu as famílias hebraicas a sacrificar um cordeiro e passar o sangue do animal nos umbrais das portas, para que elas fossem protegidas da praga, que estava destinada a matar os primogênitos.

À meia noite, um anjo enviado por Deus matou os filhos mais velhos do Egito, inclusive de animais e até mesmo os primogênitos da casa do Faraó. Ele então, assustado com a ira divina, libertou o povo de Israel que, na fuga, viveu a famosa história de travessia do Mar Vermelho sob o comando de Moisés. Pêssach, que significa passagem do anjo da morte, é uma festividade que recorda essa libertação e o castigo aplicado por Deus ao Faraó.

Festa

Pêssach é uma das mais importantes festas para os judeus, pois serve de elo à sua história. Antes da festa, eles removem todos os alimentos fermentados da casa, conhecidos como chametz, queimando-os. Os objetos de chametz serão escondidos e as louças passarão pelo fogo, num processo chamado de casherização, que significa “purificar”. É proibido realizar qualquer trabalho depois do meio-dia do 14 de Nissan (abril, em hebraico), mas os judeus podem pedir que um goy (não judeu) realize essa tarefa, que pode ser acender uma lâmpada, por exemplo.

Nas primeiras duas noites de festa, e apenas na primeira para os judeus de Israel, é realizado um jantar especial chamado de Sêder de Pêssach, quando é narrada a história do êxodo no Egito e se faz as leituras das bênçãos, parábolas e canções judaicas. A refeição consiste em matzá (pão ázimo) e ervas amargas.

O calendário judaico é lunissolar, ou seja, os meses são baseados nos ciclos da lua, enquanto o ano segue de acordo com o ciclo solar. A festa de Pêssach, que tem originalmente sete dias, é comemorada em nove para que, de alguma forma, todos os judeus do mundo comecem e terminem a festa juntos, já que o calendário lunissolar não é usual fora de Israel.

Infográfico que ilustra tudo o que os judeus fazem em Pêssach. (Crédito: Claudia Müller)
Infográfico que ilustra tudo o que os judeus fazem em Pêssach. (Crédito: Claudia Müller)

 

Editado por Bruno Machado

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