“Para a maioria dos jovens, o câncer ainda é uma fantasia”, afirma oncologista

Por Camila Correia

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 27 milhões de novos casos de câncer surgirão em 2030 no mundo, e 17 milhões de mortes pela doença. Os países em desenvolvimento serão os mais afetados, entre eles o Brasil. A prevenção e, consequentemente, o diagnóstico e acompanhamentos precoces podem salvar milhões de vidas. (Infográfico: Camila Correia)
Segundo a OMS, em 20 anos, 27 milhões de novos casos de câncer surgirão no mundo. Os países em desenvolvimento serão os mais afetados, entre eles o Brasil. A prevenção e, consequentemente, o diagnóstico precoce pode salvar muitas vidas. (Infográfico: Camila Correia)

Com o intuito de chamar a atenção da população mundial sobre a importância de se discutir sobre a doença, foi instituído o Dia Internacional de Combate ao Câncer, 8 de abril. No Brasil, o câncer representa a segunda causa de morte, atrás apenas das doenças do coração. No entanto, a palavra câncer não deve assustar nem ser sinônimo de morte, pelo contrário.

Segundo dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), aproximadamente 30% das mortes por câncer se devem a fatores de risco comportamental e alimentar e, portanto, poderiam ser prevenidas. A questão é que quando um tumor maligno é diagnosticado em sua fase inicial, as chances de cura do paciente aumentam significativamente.

Para o membro do corpo clínico do Hospital Celso Pierro da PUC-Campinas e diretor do Instituto “Radium de Campinas”, Carlos Monti, os jovens não se preocupam com o câncer o quanto deveriam. “Ainda é algo muito distante para pessoas de baixa idade, quase que uma fantasia. Ele pode ter conhecimento da doença por causa do avó ou pai, mas, ainda assim, isso não o sensibiliza a ponto de mudar os hábitos”, conclui.

O efeito tardio dos agentes externos, como o tabaco e o álcool, é uma das principais causas de manter essa distância ilusória entre o câncer e o jovem. Normalmente, os agentes externos demoram de 15 a 30 anos para transformar uma célula normal em cancerosa. Na visão do médico, isso diminui o medo do câncer e faz a pessoa pensar: “sempre vai acontecer com o vizinho, mas não com ele”.

Os brasileiros são mais atingidos por doenças na próstata, em homens, e de mama, nas mulheres e isso tem ocorrido cada vez mais cedo. O oncologista Carlos Monti apontou sete hábitos comuns entre os jovens de hoje e que são totalmente condenáveis sob o ponto de vista da prevenção ao câncer. São eles:

1)     Fumam demais – o uso de tabaco está ligado a 71% de todas as mortes por câncer de pulmão e pelo menos 22% de todas as mortes por câncer. Mais de 4.700 substâncias tóxicas e cancerígenas são inaladas por fumantes e não fumantes.

2)     Ingerem muito álcool – o consumo, em qualquer quantidade, aumenta o risco de desenvolver câncer. Além disso, combinar bebidas alcoólicas com o tabaco aumenta ainda mais a possibilidade do surgimento da doença.

3)     Alimentam-se mal – frutas, legumes, verduras, cereais integrais e feijões são os principais alimentos protetores. Estar acima do peso aumenta as chances de uma pessoa desenvolver câncer.

4)     Não praticam atividade física – caminhada, dança, trocar o elevador pelas escadas, levar o cachorro para passear, cuidar da casa ou do jardim, todas essas são atividades cotidianas que podem ajudar num estilo de vida mais saudável.

5)     Não se preocupam com as intoxicações químicas – alterar o efeito de certa substância sobre um determinado órgão pode causar câncer. Por isso, é importante evitar o contato com anabolizantes.

6)     Não vão ao médico – mulheres com um histórico familiar em primeiro grau (mãe, irmã ou filha) de câncer de mama, por exemplo, tem cerca de duas vezes mais risco de ter a doença.

7)     Expõem-se ao sol em horários não recomendados – os efeitos nocivos do sol são cumulativos, por isso é indispensável evitar a exposição da pele nos horários em que os raios ultravioleta estão mais fortes, como das 10 às 16 horas.

Por isso, Monti defende a educação e a prevenção individual como sendo a melhor forma de atingir o jovem. “Se tivéssemos noções de prevenção do câncer desde a escola primária, para quando chegasse ao nível universitário, o sujeito estaria bem mais consciente. A prevenção individual acontece pela falta de oferta de políticas públicas efetivas”, condena.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), aproximadamente 580 mil casos novos da doença são esperados para este ano. O investimento do Ministério da Saúde na assistência aos pacientes com câncer totalizou R$ 2,1 bilhões em 2013. A previsão é que, até 2014, o valor alocado no fortalecimento do atendimento em oncologia chegue a R$ 4,5 bilhões.

Editado por André Montejano

 

 

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