Quase metade dos jovens da América Latina estão desempregados, segundo OIT

Por Claudia Müller

Os jovens representam 43% do total de desempregados na América Latina, segundo um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT) realizado no primeiro bimestre deste ano. Essa taxa é o dobro da média geral e o triplo da dos adultos. Cerca de 56 milhões de jovens fazem parte da força de trabalho, ou seja, têm um emprego ou buscam uma ocupação.

Para o diretor de Recursos Humanos da América do Sul da ZF Lenksysteme, Carlos Maziero, as faculdades não preparam o recém-formado para o mercado de trabalho brasileiro e não ensinam alguns conhecimentos valorizados pelas principais empresas. “Eu acho que falta um pouco de habilidades relacionadas a planejamento e gestão para o mundo acadêmico. Eu vejo o ensino teórico com relativa eficiência, mas têm coisas que são importantes e só serão vistas na prática. Por exemplo, na Alemanha o estágio acontece depois que o aluno se forma, aqui é durante a formação, ou seja, a pessoa não está pronta”, explicou.

O cenário apresenta uma realidade mais desanimadora, pois de todos os jovens que são assalariados, apenas 48,2% têm contrato assinado, contra 61% dos adultos. Além disso, a pesquisa mostrou que 55,6% dos novos trabalhadores na América Latina somente conseguem emprego em condições de informalidade. “Eu não me sinto preparada para o mercado de trabalho. Acredito que a faculdade foi apenas uma parte, não muito grande, da minha qualificação, mas conseguir um espaço depende mais da sua vontade, do seu querer”, afirmou a freelancer recém-formada em jornalismo Rita Azevedo.

Uma pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostrou que na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, 19,9% das pessoas entre 16 e 24 anos estão desempregadas. Outro exemplo da dificuldade de entrar no mercado é da recém-formada em Relações Públicas Brenda Lara, que está desempregada e afirma que desde a faculdade foi desestimulada quanto às possibilidades de emprego na área. “Apesar de considerar minha área bastante diversificada, ainda na faculdade, ouvi mais de um professor afirmar que devíamos fazer mais algum outro curso de graduação, pois apenas com Relações Públicas nossa vida no mercado de trabalho seria difícil. Isso me desanimava”, contou.

Já o repórter da Rede Brasil Atual Rodrigo Gomes, recém-formado, credita seu emprego às experiências de vida e habilidades práticas. “Eu me considerava uma pessoa sem currículo, então fui buscar conhecimentos na prática, foi o que abriu espaço para eu conseguir o meu emprego atual. Algumas pessoas conseguem trabalho mais pelos cursos do que por prática e eu não tinha idiomas, viagens, conhecimento do mundo, mas eu fui conhecer repórteres do meio e me esforcei para aprender fazendo”, explicou.

A OIT alertou que é preciso tomar medidas planejadas para atender as necessidades do emprego juvenil. O documento em que foi publicada a pesquisa enfatiza que cada país vive uma situação particular, mas lugares como Argentina, Brasil, Costa Rica, Peru e Uruguai têm experiências de êxito no problema, como melhoria e extensão dos programas de formação e capacitação para facilitar a transição escola-trabalho.

Infográfico sobre a proporção dos jovens no mercado de trabalho latino americano (Crédito: Claudia Müller)
Proporção de jovens no mercado de trabalho latino americano (Crédito: Claudia Müller)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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