Livro refaz passos de nazistas em terras brasileiras

Josef Mengele ficou conhecido como o "Anjo da Morte"
Josef Mengele ficou conhecido como o “Anjo da Morte”

Por Bruno Accorsi

Além de Josef Mengele, famoso médico nazista que viveu em diversas localidades do Brasil, outro alemão viveu em território brasileiro. O livro “O Anjo da Morte em Serra Negra”, escrito pelo pesquisador e historiador Pedro Burini, aborda a passagem de Mengele e Gunther Schouppe pela cidade de Serra Negra, no interior do estado de São Paulo. Gunther, até então desconhecido pela história, era cabo da SS e trabalhou no mesmo campo de concentração que o médico. Apesar de terem morado na mesma cidade, não moravam juntos, e os relatos registrados no livro mostram que os alemães eram bastante discretos. Segundo Burini “eles não se relacionavam direto com as pessoas, usavam outros para se comunicarem por eles e tinham funcionários descendentes de italianos”.

Alguns mistérios rondam as casas habitadas pelos nazistas, principalmente a de Mengele, conhecido por realizar experiências bizarras em humanos. Alguns relatos apontam que foi construída uma câmara de gás em sua casa. Durante a pesquisa, Burini ouviu que o médico teria sido visto tratando de um macaco no local, e que alguns aparatos da casa teriam sido confiscados pela Polícia Federal. “Sobre a tal câmara de gás, o que posso afirmar, é que durante as pesquisas descobri que ele empalhava aves e que ele tinha esse quarto fechado, sem portas e sem janelas, onde as paredes eram todas vedadas”.

Apesar das poucas informações sobre Gunther Schouppe, as evidências de sua residência em Serra Negra são de extrema importância, pois apesar do mistério envolvido na figura de Mengele, já faz algum tempo que foi comprovada sua passagem pelo Brasil. “Que Mengele veio para Serra Negra já era fato histórico, pois a comunidade de Israel e muitas outras instituições concordam nesse ponto. Documentários oficiais da fuga dele mostram a casa e a torre onde ele viveu aqui.”, é o que explica Burini. O caso de Gunther é um fato novo para história e a confirmação de sua identidade foi fruto de um cuidadoso processo de pesquisa.

O livro é consequência do trabalho de conclusão de curso de Burini, formado em história pela FESB. As informações são baseadas em depoimentos de fontes primárias e documentos oficiais, examinados pelo pesquisador em viagem ao Paraguai, Uruguai e outras regiões do Brasil por onde Mengele passou, como no Rio Grande do Sul, por exemplo. Burini afirma também que muitos nazistas se refugiaram na América do Sul. “Primeiro, a maioria deles foi para o Chile e Argentina, e, depois, vieram para o Brasil, a fim de despistar a caçada que era imposta sobre eles pela comunidade internacional.” O livro cita brevemente outras localizações habitadas por nazistas, como Bertioga, onde Mengele morreu afogado e teve sua ossada identificada em 1992.

Editado por Fernanda Farrenkopf

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