Jovens brasileiros ocupam as ruas por um país melhor

Por Audrey Feitosa

Organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), as manifestações, que começaram dia 6 de junho, na Avenida Paulista era um ato pacífico, e segundo Bruno Passos, do site Papo de Homem, tal ato realmente foi completamente pacífico, do inicio ao fim. “Quando nossa caminhada chegou ao fim, fomos embora com o sentimento de dever cumprido e, principalmente, sem violência. Acredito que quem tenha começado a bagunça, que veio a tornar notícia, foram pessoas que queriam desesperadamente chamar atenção para si mesma e não para a causa e para manifestação, que foi pacifica do começo ao fim”, afirma.

De acordo com relatos nas redes sociais de pessoas que estavam presente nas manifestações, quinta feira, dia 13 de junho, foi o mais violento dos quatro dias de protesto, e a violência partiu da polícia, que estava no local para reprimir e para silenciar quem gritava e pedia por um ato sem violência.

Segundo o advogado Rodrigo de Almeida Prado Pimentel, talvez seja necessário rever os protocolos instituídos pelas forças policias para deter as manifestações. “A atitude e o descontrole dos policias não podem se repetir, sendo necessária uma punição exemplar, para aqueles que abusarem de seus poderes de policia. Ainda temos que levar em consideração que a função da corporação é manter a ordem e não ajudar a aumentar a desordem”, diz Pimentel.

A jornalista Rita Lisauskas, da Band, que estava fazendo a cobertura da manifestação, relatou em sua conta pessoal do twitter que a situação em que os que passavam pela região, os manifestantes e os jornalistas foram submetidos não tinha motivo aparente. “A manifestação era pacífica até o meio da subida da Consolação, quando a polícia começou a jogar bombas e atirar, na imprensa inclusive”, disse a repórter. Rita acrescentou, no twitter, que não havia baderna até o início da ação dos policiais e que no tempo em que esteve em meio ao combate, ela ouvia os manifestantes gritando e pedindo para que não houvesse violência.

Rita Lisauskas -  twitter pessoal
A Jornalista Rita Lisauskas publicou os acontecimentos da manifestação do dia 13 em seu twitter

O abuso de poder por parte da Policia Militar de São Paulo e da Tropa de Choque não poupou nem mesmo a imprensa, como a repórter do jornal Folha de S.Paulo que levou um tiro de bala de borracha no olho. Ao menos, 12 jornalistas e 105 manifestantes saíram feridos do quarto protesto, segundo o MPL. Profissionais da imprensa e cidadãos comuns foram revistados e alguns detidos por estarem portando garrafas de vinagre, que ajuda a amenizar os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia.

Segundo o advogado e estudante de jornalismo, João Gabriel Oliveira, a polícia abusa do poder concedido a ela por não estar preparada para esse tipo de ação e, principalmente, pela falta de senso de cidadania e por falta de punição para quem abusa da autoridade. “A corregedoria da policia é muito submissa, nunca acontece nada com policial que abusa do poder. É simples, se um cidadão vai pra cima de um policial, ele pratica desacato. Agora, se um policial vai pra cima de um cidadão, ele esta no estrito cumprimento do dever legal, não pratica crime algum” explica.

A estudante de arquitetura da Unip de São Paulo, Bárbara Aguilera, não participou das passeatas e manifestações, mas usa o transporte público todos os dias para ir de casa para a faculdade. “Eu acho que a gente paga muito caro por um serviço que se intitula ‘transporte público’, mas já que de público só tem o nome e nós estamos pagando por ele, as condições de uso do transporte deveriam ser bem melhores”, reclama a estudante. Para ela, as causas das manifestações deixaram de ser unicamente o aumento da tarifa do ônibus. “Nós cansamos de pagar caro por serviço ruim. Nós queremos saber para onde vai esse dinheiro, já que não vemos melhorias no transporte, nem na educação e saúde”.

Psicóloga e mãe da estudante, Katia Aguilera, acha que a polícia está precipitada e lutando do lado errado. “Sabemos que aqueles homens fardados estão apenas cumprindo ordens de manter a ordem e proteger os patrimônios públicos e privados da cidade. Mas é claro que para isso estão abusando da autoridade que tem sobre os cidadãos. Mas o que eles não perceberam ainda é que esses cidadãos só estão nas ruas para reivindicarem o que é de todos por direito, que é transporte, educação e saúde pública sem que precisemos pagar ainda mais pelo que é direito nosso e deles (dos policiais)”.

Na segunda-feira, dia 18 de junho, algumas capitais do Brasil apoiaram São Paulo e também foram para as ruas. “Acho que, na verdade, o real motivo de todo esse protesto nas ruas nunca foi somente o aumento das tarifas do transporte, os R$0,20. A questão é que o brasileiro cansou de assistir o governo aumentar tarifa ‘disso’ e ‘daquilo’, mas não fazer nada pro melhorar a qualidade de vida do cidadão, acho que por isso as pessoas estão indo às ruas”, diz Bárbara. Ela completa dizendo que acredita que dá para fazer uma manifestação “bonita, sem violência e vandalismo”.

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