Criação bovina impacta negativamente no meio ambiente

Por Natália Alberti

De acordo com uma matéria publicada no site do UOL, o Brasil é dono do maior rebanho bovino do mundo, e possui de 170 a 207 milhões de cabeças de gado. A criação bovina e o manejo de pastagens causam grandes impactos no meio ambiente. Mais negativos do que positivos. Um relatório publicado pela ONU no ano de 2006, por exemplo, aponta que a pecuária é uma das maiores contribuintes para os problemas ambientais, incluindo mudanças climáticas, poluição do ar, poluição e esgotamento da água, degradação do solo e perda de biodiversidade.

Gado
Pecuária acarreta problemas ambientais

O engenheiro agrônomo especializado em zootecnia Márcio Aparecido Soares, trabalha há 21 anos em uma fazenda de gado na cidade de Anaurilândia, no Mato Grosso do Sul. De acordo com ele, os principais efeitos negativos da pecuária em relação à água são a sua contaminação com dejetos animais, fertilizantes e pesticidas usados no cultivo de rações, além do assoreamento causado pelas pastagens degradadas. “A pecuária também é responsável pelo consumo de cerca de 8% da água do planeta, sendo que a maior parte é destinada à irrigação de culturas de ração”, disse Soares.

Para o agrônomo, as fazendas de confinamento intensivo também contribuem para impactar negativamente o meio ambiente. “A pecuária intensiva é praticada utilizando recursos tecnológicos avançados, como gado confinado, reprodução através de inseminação artificial, controle via satélite, entre outros. Esses recursos causam baixos níveis de bem-estar animal, mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e poluição do solo, água e ar. O sistema extensivo, principal meio de produção no Brasil, contudo, acarreta efeitos ainda piores. Por ser desenvolvido em grandes extensões de terras, com gado solto e sem grandes aplicações de recursos tecnológicos, pode gerar a destruição de ecossistemas ambientais, a degradação do solo e a poluição dos recursos hídricos”, revelou.

pecuária
Sistema extensivo de criação de gado impacta ainda mais no ambiente

Outro efeito da criação bovina sobre o ambiente é a emissão de 35% a 40% de metano, que é 21 vezes mais prejudicial que o gás carbônico. Em média, bovinos emitem 56 kg/ano de metano, cuja produção varia de acordo com a alimentação, já que animais que se alimentam apenas de pasto emitem mais metano que animais que comem concentrados.

Segundo o biólogo Marco Antônio Gonçalves, os gases emitidos pelos bovinos são poluidores e também contribuem para o aquecimento global. A redução no consumo da carne ou até mesmo a adoção de dietas vegetarianas seriam atitudes possíveis de serem realizadas, com o intuito de combater o aquecimento global. “Além de ajudar nesse ponto, a produção de cereais também demanda um consumo de recursos hídricos cinco vezes menor do que o necessário na prática bovina”, disse Gonçalves.

A pecuária, além de causar todos esses problemas ao meio ambiente, é também a principal responsável pelo desmatamento da Floresta Amazônica, já que 75% da área desmatada na Amazônia Legal é ocupada por essa atividade.

Porém, o biólogo também citou os aspectos positivos da criação bovina e do manejo das pastagens na relação com o ambiente. As pastagens brasileiras tendem a compensar as emissões dos gases poluidores liberados pelo gado, e, quando bem manejadas, podem sequestrar até duas toneladas de carbono por ano para cada hectare. “As fazendas de produção orgânica, que possuem modelos adequados de manejo de pastagens, além de ajudarem na redução das emissões de gases do efeito estufa, também apresentam um nível elevado de biodiversidade, e o esterco de animais criados soltos são utilizados na fertilização das lavouras”, explicou.

Hoje em dia, o mercado está obrigando que os pecuaristas sigam o padrão da pecuária sustentável, a qual exige cuidados com o meio ambiente e conforto dos animais, os quais precisam ficar em locais com ventilação e higiene, e comer e beber com mais frequência.

A engenheira ambiental e dona de uma fazenda de gado no Mato Grosso do Sul, Ana Paula Azevedo, acredita que, com o modelo sustentável, os impactos ambientais causados pela produção bovina serão minimizados, pois contribuirá para o combate às mudanças climáticas ao proibir o uso de fogo nas pastagens. “A utilização do solo, de acordo com a sua capacidade de uso e suporte, a proteção e recuperação das áreas de preservação, o aumento da cobertura vegetal do solo e o controle do escoamento superficial e dos processos erosivos, são alguns dos princípios da proposta para o manejo sustentável das atividades pecuárias”, disse Ana Paula.

De acordo com a engenheira, uma estratégia que está sendo pensada para garantir a pecuária sustentável é a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural, uma categoria de áreas protegidas, que ajudariam no equilíbrio de pragas, na fertilidade e estruturação dos solos, e na qualidade dos recursos hídricos ao garantir a cobertura vegetal e a variabilidade genética e de espécies.

grafico
Fonte: Revista Época

1 comentário

  1. Não quero minimizar a questão, mas tudo na vida acarreta problema ambiental, absolutamente tudo. Nada fica de fora. Mas não se preocupem com o gado, essa situação vai mudar em alguns anos. Eu andei percorrendo o Estado de Minas Gerais para comprar uma pequena propriedade rural e fiquem admirado quantas vi com aspecto de abandonadas, à venda há vários anos, a casa e curral caindo(aí comentei com meu sobrinho: mas esse povo tá indo todo pra cidade). Em princípio não entendi. Só depois que comprei e tentei produzir é que percebi o porquê. A legislação ambiental no Brasil, como é feita, não permite o pequeno rural proprietário sobreviver. Ele, ou talvez seus filhos, vai ter de abandonar suas terras e engrossar as favelas ou outros cinturões de pobreza nos grandes centros urbanos. Vocês sabiam que quase não tem diferença a legislação ambiental praticada pra os grandes empreendimentos e os minúsculos do pequeno produtor?. Em termos de burocracia é ainda pior para o pequeno, pq ele não entende disso e não consegue lutar por seus direitos. Alguns exemplos(atitudes do pequeno produtor que se ele fizer sem a licença ambiental ou a autorização de uso de recursos hídricos pode levar multa geralmente de cinco mil reais para cima): fazer uma cacimba ou um poço sem comunicar o órgão gestor de água e dependendo do volume da água tem de pedir autorização; não pode deixar os animais beber água no riacho antes de autorizado pelo órgão de águas; não pode irrigar seu pomar ou horta sem a mesma autorização, agora do órgão ambiental também, entre outros absurdos…. só que para ele pedir essas autorizações, por mais simples que pareçam ser, não consegue fazer sem projeto assinado por engenheiro que, obviamente, cobrar-lhe-á caro por isso, além das autas taxas exigidas pelos órgãos ambientais e de água. Pasmem por fim: ele corre o risco de fazer um pedido, tudo como essa enfadonha legislação manda(leis, decretos, portarias, resoluções, etc), e ele não ser apreciado no prazo nela previsto, que é bem extenso “diga-se de passagem”, e, não não podendo mais ficar sem água, pois nós não sobrevivemos sem ela, ser multado pelo órgão de fiscalização(vejam AC 00009137420104058400, Desembargador Federal Geraldo Apoliano, TRF5 – Terceira Turma, DJE – Data::15/02/2013 – Página::214.). Aí vem mais gastos com advogado, à “via crucis” do judiciário, o nome em cadastros de inadimplentes se não pagar, etc. A simples análise que fiz das normas que estudei sobre a matéria faz parecer que ao reger todas as classes de produtores praticamente com a mesma legislação e burocracia, sob uma inveterada noção de proteger o meio ambiente a qualquer custo, mitificando um não mais neologismo “desenvolvimento ou meio ambiente sustentável”, acabem dando um tiro no próprio pé. Os pequenos produtores vão sim, em pouco tempo, engrossar os filões de pobreza, desqualificação profissional, marginalização, etc,nos grandes centros urbanos em pouco tempo. Para ser bem simples: um pequeno produtor não deveria ter de pagar 87,76 por hora técnica; 334,37 para publicação ou recurso; 937,68 para apreciação de um pedido de captação de água subterrânea por tubo, dentre outros valores absurdos, sem falar do que paga antes para o engenheiro para fazer o projeto e talvez advogado.A desproporcionalidade das taxas mostra a ênfase arrecadatória. Não se preocupem, simpatizantes do artigo comentado, em pouco tempo as fronteiras da grandes plantações de soja e outros grãos substituirão essas pequenas propriedades(as médias vão junto), com suas repercussões econômicas e socias. Mas sempre há alternativas não é? Se já estamos substituindo o leite de vaca pelo de soja, quem sabe vem uma carninha de soja por aí, bem vermelhinha e macia, tipo aquelas picanhas maravilhosas. Este País é “sui generis”.

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