Mecanização da colheita de cana exige requalificação de ‘boias frias’

Meta da usina é acabar com chamados 'boias frias'
Meta da usina é acabar com chamados ‘boias frias’

Por Lúcia Maroni, de Pradópolis (SP)

Nos últimos seis anos, a colheita de cana de açúcar passa por um gradual processo de mecanização. Em 2008 foi criado um protocolo ambiental que, juntamente com a Secretaria de Meio Ambiente, vai proibir o procedimento da queima da lavoura de cana – inicialmente, esse prazo iria até 2021. Porém, com a antecipação para 2017, algumas usinas estão tendo que se adaptar rapidamente a essa nova condição.

A Usina São Martinho foi uma das que assinou esse protocolo, onde se propõe que até 2014, toda área onde seja possível se colher com o auxilio das máquinas, não se pode mais ter nenhuma queimada, mesmo manual. A empresa, considerada a maior do mundo em moagem de cana de açúcar, e que fica em Pradópolis (SP), já começou esse processo muito antes da resolução ser anunciada.

Mauricio Simões, que é o responsável pela produção agrícola, explica: “A usina foi uma das primeiras a fazer a mecanização da colheita da cana, isso ainda no final dos anos 80”. Em 2013, cerca de 95% da safra é colhida por maquinário específico. A profissão de cortador de cana foi quase extinta na usina. “Aqui nós temos mais operadores de máquina do que os chamados ‘boias  frias’”, diz.

Os poucos trabalhadores que restaram fazem serviços apenas aonde as máquinas não consegue chegar. “São áreas onde o terreno é inclinado, ou que tem muitas pedras e impõem dificuldades para a colhedora, então o trabalho é feito manualmente”. Simões explica que por conta disso, os trabalhadores estão sendo remanejados. Isso está sendo feito por um programa criado dentro da usina, em parceria com o SENAI e a FIESP. “De dezembro de 2012 até março desse ano, nós requalificamos 400 cortadores de cana”.

Mas o programa não é somente para quem trabalha na empresa, mas também se estende a outros trabalhadores da região. “Eles agora são operadores de colhedoras, operadores de tratores, motoristas de caminhão, mecânicos e por ai vai”. Isso foi feito tanto na parte agrícola quanto na parte industrial. “A ideia é requalificar essas pessoas, pra que quando chegar em 2017, todas elas estejam empregadas e prontas para uma nova realidade do setor”, finaliza.

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