Ponto de ônibus reformado por professor segue intacto

Ponto de ônibus reformado
Rosana e Nice aguardam o ônibus no mais confortável ponto da cidade

Por Guilherme Borini

A ideia inusitada de Ahmed Atia El-Dash vem fazendo muito sucesso entre moradores e funcionários da Cidade Universitária, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. O professor aposentado de engenharia de alimentos da Unicamp, de 72 anos, reformou um ponto de ônibus por conta própria, na avenida Luis de Tella, próximo ao Parque Hermógenes Leitão, a Lagoa da Unicamp. Pronto há cerca de um mês, o local não sofreu nenhum ato de vandalismo e tudo que foi feito continua intacto.

O ponto foi inteiro pintado e conta com água filtrada, copos de plástico, pia, lixeira, revistas de diversas categorias, jornal do dia, além de um mural com informações, com os horários das linhas de ônibus que passam naquele ponto – são duas: a 321 e a 328, ambas com destino ao Terminal de Barão Geraldo. Ahmed utilizou o muro da casa de seu filho, que está em construção.

Entre as pessoas que frequentam o local diariamente, é unânime a aprovação da atitude de Ahmed e a surpresa pela conservação. “A ideia foi surpreendente e hoje eu me sinto melhor aqui no ponto. Todo mundo que pega ônibus aqui adorou. Achei que seria destruído por vândalos e fiquei surpresa de como ainda está conservado. Não tem porquê quebrar, somos nós mesmos que usamos”, declarou a doméstica Rosana Selvino, de 43 anos, que trabalha em uma casa próxima ao local.

Ponto de ônibus 1
Detalhes do ponto de ônibus, que conta com água filtrada, pia, lixeira, jornais e revistas

Rosana destacou a notoriedade que o ponto ganhou após a reforma e a utilidade do local não só para quem espera pelo ônibus. “Já vi muita gente parar aqui só para tomar água, ou jogar algo no lixo. Ontem mesmo, um motoboy parou aqui, pegou um copo d’água e foi embora. As pessoas que passam de carro ou a pé param para olhar também. Sem contar a quantidade de imprensa que está vindo aqui. Quem teve a ideia está de parabéns”, completou.

Enquanto a reportagem conversava com Rosana, uma outra pessoa chegou, tomou um copo d’água e jogou alguns papéis que carregava no lixo. Era a diarista Nice Fernandes, de 55 anos, que trabalha apenas às quintas-feiras na região e chegava para aguardar o ônibus e voltar para casa. Ela lamentou o fato de esse ser o único ponto confortável que frequenta. “Pena que só esse é assim, né? Imagina se todos iguais a esse. Podemos chegar e tomar uma água após caminhar até aqui, é muito bom. Quem sabe agora não apareçam outros”, declarou Nice.

Em um dos pilares, Ahmed colou um cartaz com uma frase que passa seu recado e mostra o motivo da sua boa ação: “O Brasil é um presente para todos nós, sem igual na face do planeta Terra. Vamos cuidar bem dele, cada um de nós em seu espaço. Vamos entregar um Brasil melhor para nossos filhos e netos”. No final, deixa seu nome e o telefone para contato.

Editado por Carolina Junqueira e Bianca Fernandes

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