Jornada de Jornalismo recebe repórter que viveu “inferno” na Síria

Por Amanda de Andrade Campos

Lotar o auditório Dom Gilberto da PUC- Campinas e mantê-lo em silêncio por duas horas e oito minutos, com pausas para risadas, respirações tensas e admiradas, tosses e semblantes de espanto. A palestra de Klester Cavalcanti despertou acuriosidade dos alunos e professores que estavam presentes na noite de terça-feira (07/05),  para mais um dia da Jornada de Jornalismo, que dessa vez  trazia histórias de correspondentes internacionais e suas missões quase impossíveis.

Alunos da PUC-Campinas chegando ao auditório minutos antes da palestra
Alunos da PUC-Campinas chegando ao auditório minutos antes da palestra

O sahafi (jornalista em árabe) e autor de quatro livros (Direto da selva, Viúvas da terra, O nome da morte e Dias de inferno na Síria) contou como chegara a essa profissão, não escondendo o tom que beira a indignação com o próprio passado: tempo que estudou e trabalhou como engenheiro mecânico na Votorantim. Foi em 1994 que Klester abandonou seu salário de engenheiro para tornar-se jornalista. “Às vezes, temos que tomar decisões duras que na hora são difíceis, porque se elas não forem tomadas, no futuro será muito pior”, refletiu. O palestrante referia-se ao meio salário mínimo que começou ganhando como estagiário em uma assessoria de imprensa e todas as desmotivações carinhosas que escutava de seus pais.

Inspiração e coragem
A palestra foi sustentada por Klester por meio de histórias reais – ele discorreu sobre o período de sua visita à Síria, com o objetivo de contar as histórias de pessoas que viveram na guerra civil entre o exército oficial (comandado pelo ditador Bashar Al-Assad) e o exército livre sírio (“ELS”, de opositores).

“O que me levou à Síria foi a vontade de ver como as pessoas vivem nessa situação”, lembra. Klester quis encontrar as melhores histórias, aquelas que, contadas uma a uma, formavam o cenário do inferno vivido pelos árabes do oriente médio. Não bastava entrar na Síria, ele ressaltou que precisava “burlar o sistema do governo” e fazer seu trajeto sem guardas o cercando e o privando das cenas reais. Não bastava entrar na Síria, Klester chegou à Homs, cidade onde mais de 90% dos habitantes são opositores.

Klester Cavalcanti, o único sahafi brasileiro que esteve na guerra Síria desde seu início em 2011, e Fabiano Ormaneze, mediador da palestra (Foto: Amanda Campos)
Klester Cavalcanti, o único sahafi brasileiro que esteve na guerra Síriia, e o prof. Fabiano Ormaneze, mediador da palestra

O jornalista compartilhou com o público o que pensava em seus momentos de medo. “Quando eu tive a certeza que eu morreria, o que me confortava era saber que eu estava onde eu queria estar, fazendo exatamente o que eu queria fazer” relembra aliviado. Correr riscos, para Klester, é algo que ele teve em mente quando se preparou para a viagem. Ele ressaltou que “é muito bom estar no lugar onde a história está acontecendo. É bom viver aquilo que vai ser ensinado nos livros de história das escolas”.

Para encerrar Klester transmitiu um recado aos que o escutavam: “jornalismo é dedicação e esforço, muito mais do que talento. Quem quer escrever bem, tem que ler textos bons”.

Para saber sobre a programação acesse a página sobre a Jornada de Jornalismo da PUC- Campinas, acesse o site. No primeiro dia, quem abriu o ciclo de palestras foi Luiz Carlos Azenha.

Edição: Carolina Junqueira e Bianca Fernandes

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