Jornalistas esportivos escutam poucas fontes

Por Antenor Figueira

Em 40% dos artigos apenas uma fonte é ouvida e uma em cada quatro matérias não usa fonte alguma

Entre os resultados parciais da pesquisa “International Sports Press Survey” (ISPS, sigla em inglês para Pesquisa Internacional sobre a Imprensa Esportiva numa tradução livre), divulgada em outubro passado no seminário “Mega-eventos e democracia: riscos e oportunidades”, realizada em São Paulo como parte da conferência internacional Play The Game de transparência e democracia no esporte, ficou evidenciado que os jornalistas esportivos não costumam escutar muitas fontes. Em mais de 40% dos artigos analisados na pesquisa, apenas uma fonte foi ouvida e uma em cada quatro matérias não usou fonte alguma. Técnicos e atletas representam quase a metade das fontes ouvidas.

No estudo, foram analisadas 18.340 matérias de 81 jornais, em 23 países, de abril a julho de 2011, incluindo a mídia brasileira. Por aqui, o futebol foi tema de 74,6% das matérias analisadas sendo,  de longe, o mais abordado.  O segundo esporte mais veiculado foi a Fórmula 1, com 3,3%.

Os temas giram sempre em torno das performances e resultados de partidas. Segundo os dados, 72% das matérias publicadas a respeito de esporte focaram prévias de jogos, competições, torneios, resultados e relatos de jogos ou competições e a performance de jogadores e times.

Para o jornalista e professor da PUC Campinas, Luiz Saviani, este modo de fazer jornalismo é um desvio que virou estilo. Segundo o professor, este formato inclina-se para um trabalho de assessoria e de promoção, “disfarçado de opinião, de um jornalismo autêntico, autônomo”.  Para Saviani,  isenção não é a característica predominante em  jornalistas esportivos brasileiros. “É um jornalismo, digamos assim, laudatório, que está ali pra aplaudir, raramente para fazer críticas. Críticas pontuais nunca direcionadas a pessoas, mas direcionada ao esquema de jogo, à falha da defesa. É um jornalismo voltado à promoção não do esporte em si, mas desse mecanismo mercantil que há por trás de compra e venda de jogadores. Ao contrário do jornalismo  em que você precisa da fonte, você precisa dar substância à sua matéria, no jornalismo esportivo não. Tudo isso é dispensável”.

Ouça os principais trechos da entrevista com o jornalista Luiz Saviani:

Editado por Jéssica Kruck.

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