Mulheres ainda ganham menos que os homens

Por Ana Paula Rezende

 

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada pelo IBGE, aponta que a diferença entre os níveis de salários de homens e mulheres diminuiu. Mas a diferença ainda é grande. Em 2011, a mesma pesquisa apontou que as mulheres recebem em média 72,3% do que os homens .

Para evitar diferenças na comparação do rendimento provocado por fatores que podem contribuir para  isso, foram estudados os grupos de pessoas com o mesmo nivel de  conhecimentos e do mesmo grupamento de atividade. Foi possível observar que, tanto para as pessoas que possuíam 11 anos ou mais de estudo quanto para as que tinham curso superior completo, os rendimentos entre os homens era e ainda é  superior ao das mulheres.

Essa pesquisa, feita de forma domiciliar, produz indicadores para o acompanhamento do mercado de trabalho em várias regiões metropolitanas, dentre elas esta o estado de São Paulo. Todos os dias ocorrem grandes transformações no mercado de trabalho brasileiro e desde a implantação da PME impuseram uma revisão completa, abrangendo seus aspectos metodológicos. A modernização da Pesquisa Mensal de Emprego visou a captação mais adequada das características do trabalhador.

Uma das grandes vantagens das mudanças implementadas foi a oportunidade de se fazer estudos mais detalhados de temas e populações específicas. E o objetivo da pesquisa a seguir é, através do formato de perguntas e respostas, apresentar um panorama da mulher no mercado de trabalho. Outras informações pertinentes também apresentadas  nessa pesquisa foram:

Em 2011, as mulheres eram maioria na população de 10 anos ou mais de idade, cerca de (53,7%). Entre os homens, esse percentual era de 60,8% em 2003 e cresceu para 63,4%. A partir dessa evolução, foi possível notar um  maior crescimento do nível de ocupação das mulheres. A presença feminina também era majoritária na população desocupada e na população economicamente inativa. Em média, elas totalizavam 11 milhões de pessoas na força de trabalho, sendo 10,2 milhões ocupadas e 825 mil desocupadas.

A análise por grupos de acordo com a idade mostrou que, em 2011, cerca de 63,9% das mulheres ocupadas tinham entre 25 e 49 anos. Entre os homens, este percentual foi de 61%. A proporção da população feminina de 50 anos ou mais de idade em idade ativa era de 31,4%, enquanto a dos homens foi de 26,9%. Já as mulheres ocupadas com 50 anos ou mais alcançavam 20,9%, percentual próximo ao dos homens ocupados nessa mesma faixa etária, de 22,9%. Comparando com os resultados de 2003, o grupo de pessoas com 50 anos ou mais, foi o que teve maior crescimento na população ocupada.

O predomínio da presença feminina na administração pública se manteve estável nesses 8 anos, seguido pela ocupação das mulheres no comércio. Entretanto, caiu o percentual de mulheres ocupadas nos serviços domésticos, de 16,7% para 14,5%. A população ocupada masculina manteve-se praticamente estável na indústria e nos outros serviços.

O crescimento da escolaridade feminina tem se consolidado nos últimos anos e isso reflete nos diversos setores da atividade econômica. Um exemplo é o comércio, onde, em 2003, as mulheres que ocupavam essa atividade totalizavam 51,5%, enquanto os homens com a mesma característica alcançavam 38,4%.

A  presença majoritária feminina com nível superior também foi verificada nos grupos de atividade, com destaque para a construção (atividade normalmente desenvolvida por homens). A proporção de mulheres que possuíam nível superior também foi bem mais elevada que a deles: 28,6% das mulheres e 4,7% dos homens em 2011.

Em 2011 as mulheres aumentaram sua participação em todas as formas de ocupação. As proporções foram de 59,6% e de 40,4%. Das mulheres ocupadas no mercado de trabalho em 2011, 22,6% estavam no setor público, enquanto entre os homens esse percentual foi de 10,5%.

6 comentários

  1. Uma boa pesquisa,
    porém uma injustiça.
    Até quando as mulheres vão ter que lutar pela igualdade? Capacidade as mulheres tem, só precisa do reconhecimento e do espaço no campo profissional.

  2. Infelizmente o Brasil ainda é um país que tem preconceito com a mulher. Ainda se valoriza mais o homem em todos os sentidos, inclusive no mercado de trabalho. As mulheres devem lutar para quebrar esse paradigma. E essa luta é através do estudo. Antigamente as mulheres só pensavam em ser professoras ou cuidar dos seus lares. Hoje em dia cresce cada vez mais o interesse delas em áreas que eram (e ainda são, em sua maioria) dominada pelos homens, como na engenharia, por exemplo. É ridiculo julgar a capacidade de alguem apenas por seu sexo, cor, idade ou religião. Sou a favor de uma situação igualitaria, aonde todos tenham os mesmos direitos, e aonde quem ganha mais é porque se formou e tem maior conhecimento, independente se é homem ou mulher, negro ou branco, novo ou idoso.

  3. Excelente pesquisa! É mais um pesquisa onde se comprova atraves de números ; a realidade. Independente do lugar no mundo sim ainda existe esta forma de descrimição com as mulheres. Já vi em outras resportagens a menção de que a entrada “tardia “das mulheres no mercado de trabalho pode ter levado a esta “desvalorização”. Precisamos esclarecer século XXI nós mulheres mostramos o nosso valor; sempre estamos mais qualidaficadas ( vemos em escolas e faculdades), o nível de organização é melhor, a adaptabilidade e condição de exercer varias tarefas ao mesmo tempo ( afinal trabalhamos para fora e somos dona de casa) é muito maior. Entendo que com as mudanças socias ( como a família composta apenas de mães e filhos ) estará iniciando um processo de transformação onde a mulher vai ser reconhecida; inclusive com salários maiores do que os dos homens devido as suas inumeras qualidades e capacidades.

  4. É claro a qualificação das mulheres e sua grande atuação no mercado de trabalho. Infelizmente não temos o reconhecimento e o merecido valor. Mas acredito que daqui pra frente o crescimento tende a aumentar e amadurecer a ideia de igualdade.

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