Oktoberfest: de Munique até Campinas

Créditos: Giuliana A. Wolf

Por Giuliana A. Wolf

Aqueles que têm a ideia ou o costume de dizer que o povo alemão é um povo frio deveriam colocar-se dentro de um dos muitos trens que destinam-se à Munique, cidade da Bavaria, durante a Oktoberfest. A impressão é que quanto maior a idade, maior é também a empolgação por retornar mais uma vez ao recinto da festa.

Os vagões têm em si senhoras e senhores, já às 10 da manhã de qualquer dia da semana, vestidos tão alegremente com os trajes típicos alemãs, que a vergonha fica por conta daqueles que preferiram não usá-lo. Junto com a roupa especial, há também uma sede enorme, que faz com que a fila do banheiro rode uma, duas, três vezes durante o percurso de mais ou menos uma hora. É, já estamos falando de cerveja.

À entrada na festa é impossível não ver a disputa declarada para entrar em alguma das 34 tendas de cervejaria e comida típica. É de sair no tapa mesmo: cada ml de cerveja artesanal ali tomado foi feito especialmente para a ocasião. As reservas para ficar dentro das tendas começam praticamente com 10 meses de antecedência, tal qual as reservas para hoteis, campings, pacotes turísticos e voos. Aqueles que não conseguem vagas acomodam-se em alguma das muitas mesas espalhadas e tomam o chopp “normal” da festa. A caneca generosa de 1L é servida a oito euros, o equivalente a mais ou menos R$20.

Arthur Cagliari, estudante de jornalismo vivendo na Alemanha, conta que nunca tinha ido sequer à do Brasil, em Blumenau, e teve a oportunidade de conhecer logo a que deu origem às nossas. Para ele, vale muito a pena não só pela festa em si, mas também pela cultura e as roupas que são usadas.

Uma das perguntas mais frequentes em relação à Oktoberfest de Munique é de deixar qualquer brasileiro angustiado: afinal, qual é a temperatura da cerveja? Arthur alivia dizendo que hoje é servida gelada, como no Brasil, mas que alguns anos atrás, quando esteve na Alemanha pela primeira vez, a cerveja lhe havia sido servida na temperatura ambiente.

Stephanie Meyer, alemã, conta que a temperatura das cervejas pode variar mais ou menos de acordo com seu tipo e o local de produção. Na Bavaria, sul da Alemanha, está entre 4° ou 5°C, mas, caso seja da vontade do cliente, o restaurante pode servir menos gelada. Um tipo de ampola de metal contendo água fervente é inserido no copo de cerveja, aumentando sua temperatura.

Blumenau cuidou muito bem de não importar essa técnica peculiar. No entanto, muitos Frittz e Fridas, como são apelidados os meninos e meninas que se vestem com os trajes típicos alemães, migraram para a cidade onde acontece, todos os anos, a maior Oktoberfest fora da Alemanha. Aqui, porém, a fantasia é acompanhada do chapéu de feltro verde e das tiaras floridas, que tomam o lugar das tranças usadas das mais diferentes formas na Alemanha.

Diferente da original, a de cá conta com apenas quatro tipos de chopp artesanal, todos brasileiros. Såo eles: Bierland, Das Bier, Eisenbahn e Wunder Bier. As quatro tendas que compõem a festa trazem também receitas que mesclam a tradição alemã com a brasileira. O marreco recheado acompanhado de purê de maçã e chucrute é um exemplo. A ave é típica de Santa Catarina, enquanto os acompanhamentos advém da Alemanha.

Campinas, cidade que, até hoje, havia tido poucos eventos relacionados à bebida, terá o BeerCards Fest, no dia 10 de novembro, apoiado pelo Bar Brejas. Serão mais de 100 rótulos de cervejas nacionais e importadas, que poderão ser degustadas ao som da banda Blues Etílicos, que fará, além de show, o lançamento de sua própria cerveja, a Blues Etílicos Hellbier. Os ingressos custarão de R$30 a R$40.

Este ano, a cidade de São Paulo começará a ter sua própria Oktoberfest, também. Nos dias 23, 24 e 25 de novembro danças e comidas típicas são prometidas pela organização do evento. No entanto, os ingressos individuais mais baratos começam por R$45 e os mais caros chegam aos R$1.800,00. Só haverá chopp Brahma Pilsen, Brahma Black, Brahma Extra e Stella Artois. Este último estará disponível apenas nos camarotes da festa, cujo valor de reserva para três noites e dois dias é de R$33.400,00 e deve ser feito por grupos fechados. Além disso, as cervejas internacionais que estarão disponíveis serão a Franziskaner, Hoegaarden e Leffe, que podem ser encontradas também em qualquer mercado que tenha mais opções da bebida.

Curiosidade: Simone Meyer, alemã e boa frequentadora de Oktoberfest, conta que, geralmente, os finais de semana da festa são divididos assim: no primeiro, os turistas australianos e estadunidenses predominam; no segundo, é a vez dos italianos; no terceiro, uma mescla de nacionalidades, já que é também mais tranquilo.Fiquem com um recado da alemã:

Prost! 

Editado por Giovana Seabra

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