Negros e mulheres têm mais dificuldade em conseguir emprego, aponta pesquisa

Por Natália Beraldi

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no mês passado um estudo apontando que apesar da queda do nível de desemprego nos últimos dois anos, alguns grupos na sociedade ainda tem grande dificuldade em conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e mostram que em 2009, quando o Brasil sentiu os efeitos da crise econômica mundial no mercado de trabalho, 1,6 milhão de pessoas estavam à procura de um emprego. Já em 2011 esse numero aumentou para 6,7 milhões.

Segundo o IBGE, 59% dos desempregados em 2011 eram mulheres, 57,6% eram pretos ou pardos, 53,6% não tinham completado o ensino médio e 33,9% eram jovens entre 18 e 24 anos de idade. Esses números influenciam na hora de ingressar em um posto de trabalho devido especialmente as diferenças no acesso à educação. Em 2001, 10,2% dos brancos e apenas 2,5% dos negros tinham concluído o ensino superior.

Existem algumas iniciativas para reverter essa situação. Uma delas é o ProUni que atinge não só negros mas também índios e estudantes oriundos de escolas públicas do ensino médio, com a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais a estudantes de graduação em instituições privadas de educação superior. A outra é a criação de cotas nas universidades, na qual 50% de suas vagas serão preenchidas por alunos de escolas públicas em todos os cursos de graduação. Até outubro deste ano, 19 universidades federais e estaduais já tinham instituído o sistema de reserva de vagas.

Em um grupo com mais de 16 anos de idade, a taxa de desemprego é de 8,7% para os brancos e de 10,7% para os negros. Enquanto 42% dos brancos têm carteira assinada ou são funcionários públicos, entre os negros esse percentual é de 31,4%. Isso significa que menos de um terço dos trabalhadores negros tem acesso a direitos trabalhistas, como décimo terceiro salário, adicional de férias, seguro desemprego e benefícios previdenciários. A situação é ainda pior para a mulher negra, já que somente uma em cada quatro possui algum vínculo formal de trabalho.

Editado por Giuliana A. Wolf

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