Escolas não preparam os alunos para a faculdade

Por Jéssica Kruck

As escolas de ensino médio estão cada vez mais voltadas à preparação dos estudantes para o vestibular, mas essa formação não prepara os alunos para a rotina da faculdade. Muitos jovens encontram dificuldades para se adaptar ao modelo das universidades e a qualidade da educação básica tem reflexo direto no desempenho acadêmico.

A estudante Beatriz Ramos cursa o 3º ano do ensino médio em uma escola da rede pública de ensino. Ela conta que apesar de estudar fora do horário de aula e usando material adicional, é difícil acompanhar o currículo exigido para o vestibular. “Eu conversei com alguns professores e eles me aconselharam a fazer um cursinho antes de prestar as provas”, lembra. Ela acredita que as chances de ingressar no ensino superior apenas com as aulas regulares são muito limitadas.

Essa dificuldade em cumprir o conteúdo exigido nos vestibulares e o foco apenas nas provas de seleção são fatores que caracterizam parte dos problemas enfrentados pela educação no país. O professor do ensino superior, Adauto Molck, acredita que a maior dificuldade dos alunos, além de estranharem o ritmo, é a compreensão de que na faculdade não se estuda mais para tirar nota, o objetivo é outro.

“Nós recebemos alunos com níveis de desempenho diferentes, mas no geral eles chegam perdidos e estranham bastante o ritmo da faculdade”, diz. Segundo ele, os alunos não deveriam se preocupar tanto com as notas, por exemplo. Se o estudante participa das aulas, lê o material indicado e está integrado com a disciplina, ele naturalmente obtêm as notas sem dificuldades.

Outra preocupação é com os problemas que os alunos trazem como resultado da má qualidade da formação escolar. Para Molck, as escolas norte-americanas tem um modelo, não ideal, mas interessante a partir do momento em que valorizam as áreas de interesse dos alunos, permitindo uma formação direcionada a determinadas áreas e que serão uteis para os cursos de graduação.

Universidades e escolas

No último dia 10, o Ministro da Educação, Aloizio Mercandante, defendeu a maior participação das universidades federais nas ações para melhoria da educação básica no país. Ele propôs a criação de núcleos de estudos sobre o ensino médio e formação de professores dentro das universidades.

“As universidades precisam e estão cada vez mais preocupadas com a formação básica. Afinal, os estudantes que essas escolas formam serão os alunos das universidades”, afirma Adauto Molck. Ele aponta a importância da abertura, mas indica o vestibular como um entrave, pois os alunos estão muito focados nas provas e não sabem em que instituições serão aceitos. Isso não descarta a importância e necessidade de mudança no sistema educacional brasileiro.

Confira abaixo um trecho da entrevista com o professor Adauto Molck da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas:

Nesse infográfico estão alguns dados sobre a qualidade do ensino básico em Campinas e os índices de investimento em educação no país:

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Editado por Laura Mestres

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