Obras de James Joyce ganham traduções inéditas

Por Fernando Nazaga

Com a entrada em domínio público da obra do escritor irlandês James Joyce (1882-1941) em Janeiro deste ano, o público brasileiro é presenteado com novas traduções, novas edições e, inclusive, com livros nunca lançados em terras tupiniquins.

O maior clássico do escritor irlandês, Ulisses ou Ulysses, recebeu sua terceira tradução brasileira através de Caetano Waldrigues Galindo. Ela foi lançada este ano pela Penguin Companhia das Letras (R$47,00).

Sthepen Herói, considerado um preâmbulo para Um Retrato do Artista Quando Jovem, foi editado pela primeira vez no Brasil somente neste ano, pela editora Hedra. O livro de contos Dublinenses também foi reeditado pela mesma editora. Os dois títulos foram traduzidos por José Roberto O’Shea.  A Hedra planeja lançar em Agosto também Um Retrato do Artista Quando Jovem, em uma nova tradução, agora feita por Elton Mesquita. Cada título de James Joyce lançado pela editora Hedra sai por R$38,00.

A única obra do escritor irlandês para o público infantil, O Gato e o Diabo, recebe também duas novas edições neste ano. Em Agosto a editora Iluminuras lança sua versão. Para comemorar o Bloomsday , a editora Cosac Naify lançou sua edição no dia 16 deste mês, por R$39,90.

Bloomsday

O Bloomsday é celebrado no dia 16 de junho. Todos os anos os leitores de Ulysses se reúnem em diversas cidades do mundo, inclusive São Paulo, para celebrar o autor James Joyce e, através de atividades culturais, reencenarem cenas do livro. Todo o enredo do livro se passa na cidade de Dublin no dia 16 de junho de 1904, e acompanha a trajetória de três personagens: Leopold Bloom (o Odisseu de Joyce), Molly Bloom (a Penélope) e Stephan Dedalus ( Telêmaco). Todos estes personagens, o título, e a obra como um todo, fazem referência ao épico grego Odisséia, cuja autoria é atribuída ao mítico poeta Homero.

As três traduções de Ulisses ou Ulysses

James Joyce

Seu local no panteão dos maiores escritores de todos os tempos é indiscutível. Para Caetano Waldrigues Galindo, professor da Universidade Federal do Paraná e responsável pela nova tradução de Ulysses, Joyce foi o maior, o mais variado, o mais abrangente e o mais definitivo escritor do século XX.

Para o professor de língua inglesa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e tradutor José Roberto O’Shea, que traduziu Sthepen Herói e Dublinenses, o irlandês foi, sobretudo, um grande inovador, que elevou o realismo psicológico e o fluxo de consciência a patamares sem precedentes. “Ao lado de Shakeaspeare, é o maior escritor em língua inglesa”, sintetiza Nair Leme Fobé, professora de língua inglesa da Faculdade de Letras da Puc-Campinas, estudiosa de James Joyce.

A professora Nair Leme Fobé ressalta que a dificuldade em ler Joyce provém da maneira como  se dá o aprendizado. Os alunos são desde cedo incentivados a descobrir o enredo e a narrativa, enquanto Joyce apresenta vários discursos para contar uma história. “Além disso, ele quebra o tempo factual, utilizando fluxos de consciência”, observa Fobé. Ela recomenda para quem quer se iniciar nas obras do autor  Dublinenses e Sthephen Heroí, que já contêm a temática presente em outros livros: a busca e a viagem.  O’Shea recomenda  perseverança, sobretudo para  leitura de Ulysses e Finnegans Wake. “E a cada releitura a dificuldade diminui e a fruição aumenta”, incentiva.

Novas Traduções

Os dois tradutores foram questionados sobre a dificuldade de passar as obras de James Joyce para o português. “O maior desafio linguístico, sempre, é o de tentar se pôr à altura da inventividade de Joyce e de ter de contar, para isso, com um arcabouço, uma tradição literária, muito menos rico que o dele”, conta Galindo. Já O’Shea destaca  a cadência rítmica e sonora, a parcimônia absoluta no uso de pontuação, a repetição propositada de determinadas palavras, a modulação sutil dos registros linguísticos no discurso do narrado. “Minhas preocupações foram, precisamente, seguir os desígnios desse estilo tão idiossincrático quanto fino”, completa.

“Traduções acabam envelhecendo muito mais do que se poderia supor pelo mero critério da obsolescência lexical”, opina o tradutor de Ulysses. O surgimento periódico de novas traduções é benéfico, segundo O’Shea, pois as  novas traduções podem se valer de avanços conquistados por traduções anteriores, do acúmulo de saberes.

Nair Leme Fobé destaca a importância das novas traduções, pois elas nunca conseguem esgotar totalmente uma obra. Mas, é um pouco cética com relação ao que chamou de “moda de traduções”, principalmente em projetos de doutorados. Segundo a professora, muitas destas traduções não passam de meras adaptações do texto original, visando facilitar a leitura.

Confira abaixo trechos da entrevista da professora Nair Leme Fobé ao Digitais.

Editado por Henrique Bighetti

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