Música auxilia na recuperação da fala após AVC

Artur Vergennes

Artur Vergennes

Atividades que relacionam Música, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional de forma a de estimular os componentes cognitivos da linguagem em adultos e idosos com afasia. É o que realiza um dos grupos terapêuticos da Unidade Saúde-Escola (USE) da UFSCar.

Sob o comando de Helen Capeleto Francisco Machado e Tania Cristina Fascina Sega Rossetto, respectivamente fonoaudióloga e terapeuta ocupacional, com especialização em Musicoterapia, as atividades do “Grupo de Estimulação da Linguagem de pessoas com afasia por meio da musicoterapia” acontecem toda semana com pessoas que apresentam comprometimento na linguagem causado por sequelas advindas de algum problema de saúde – a maioria dos pacientes atuais sofreram acidente vascular cerebral (AVC).

A afasia é a perda da capacidade, em algum nível, de produzir ou compreender a linguagem, devido a lesões nas áreas do cérebro que comandam esta função. Por meio de exercícios e atividades os participantes se comunicam entre si, de forma lúdica e socializada para desenvolver suas potencialidades e conseguir manter uma forma de comunicação com o mundo que o cerca a partir da nova condição em que está inserido.

As coordenadoras do grupo explicam que a cada encontro um novo tipo de atividade é realizado. O foco principal é a Musicoterapia, mas também utilizam jogos e outras ferramentas para estimular as linguagens oral e escrita. Tania conta que em alguns momentos toca-se musica folclórica, que são músicas bem conhecidas, para que os pacientes reconheçam e tentem lembrar de memória a letra da música e cantar junto. “A gente toca e canta com eles para estimular a verbalização e, a partir do tema da música, iniciamos uma roda de conversa, trazendo também as memórias e as vivências de cada um”, relata.

Atualmente o grupo conta com seis pacientes e está com vagas abertas para os que já estão em lista de espera. O cadastro é feito a partir do encaminhamento pela rede de saúde pública para a Fonoaudiologia ou por encaminhamento interno, quando um paciente que não é atendido em grupo está em um estágio que necessita dessa convivência para a evolução do acompanhamento. Cada caso é avaliado e as responsáveis pelo grupo determinam quais podem ser inseridos neste contexto.

Ana Maria, uma das participantes, acha o grupo muito bom. “A atividade que a gente faz vai estimular o cérebro para buscar as coisas que ficaram perdidas por causa do AVC. Então devagarzinho a gente resgata a palavra e muitas coisas que estavam perdidas. Quando vim aqui não conseguia relacionar, falar as coisas certas, porque fiquei pelo menos três anos isolada dentro de casa.

O “Grupo de Estimulação da Linguagem de pessoas com afasia por meio da musicoterapia” é realizado todas as quartas-feiras pela manhã e tem duração de uma hora. Inaugurada ao final de 2004, a Unidade Saúde-Escola é um espaço da UFSCar destinado ao desenvolvimento de atividades de ensino e pesquisa.

Editado por Gabriela Rossi

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