A praga do abandono afetivo

Raphael Gnipper

O Brasil envelhece a cada ano. E a cada ano são mais frequentes os casos, noticiados ou não, de abandono de idosos. Os motivos que possivelmente “justificariam” esse abandono são os mais diversos possíveis, vão desde falta de tempo para cuidar dos mais velhos até mesmo falta de paciência com quem já viu muito dessa vida. Resultado: asilos lotados e casas onde os velhinhos vivem  sozinhos.

De acordo com dados do Censo, realizado pelo IBGE em 2011, são quase 3 milhões que moram sozinhos, o que representa 14% do total de brasileiros com mais de 60 anos. A solidão, em muitos casos, não é opção do idoso. Para a Sociedade Brasileiras de Geriatria e  Gerontologia, isso acontece porque as famílias tornaram-se menores e, quem poderia estar cuidando dos mais velhos no passado , agora está trabalhando. Para Silvio Piva, médico e geriatra, o perfil dos idosos tem mudado ao longo dos anos, mas a vivência em solidão ainda requer alguns cuidados. “O idoso está mais independente. Ele está vivendo mais tempo e com mais qualidade. Está evitando o envelhecimento se ocupando com atividades. Ainda sim, é sempre bom passar na casa do avô ou da avó pra falar um ‘oi’ e ver se está tudo bem”, brinca Piva. Esse “oi” aos avós pode fazer a diferença em uma das causas de maior preocupação para famílias com idosos que moram sozinhos: os acidentes domésticos. Com a mobilidade reduzida e os reflexos mais lentos, a queda se torna o maior risco para esses senhores se senhoras.

Mas e quando a solidão não é voluntária? E quando os idosos não têm uma vida ativa, cheia de afazeres e uma família que os visite e cuide deles? A solução para os problemas de milhares de pessoas com mais de 60 anos que foram abandonados à própria sorte pode estar na Justiça.  O chamado “abandono afetivo” ganhou a atenção do Superior Tribunal de Justiça que, neste mês, condenou um pai a pagar indenização de R$200 mil reais à filha por tê-la abandonado.

Em Brasília, na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de Lei que sujeita quem abandona a pagar indenização por dano moral. O projeto propõe ainda a modificação do Estatuto do Idoso para prever esse direito aos pais que foram abandonados pelos filhos.

Na ponta final da linha da vida, os idosos começam a ganhar direitos que já deveriam lhes ser assegurados há tempos.  O amor, carinho e atenção que foi dedicado a filhos, netos e bisnetos começa a ser retribuído em forma de aplicação legal. Decisões como as citadas na matéria só reforçam a ideia de respeito que, essa população minoritária mas que daqui a pouco tempo vai se tornar majoritária, merece. Advogados ouvidos pelo Digitais reforçam que, apesar de ainda estar no início, atitudes como as tomadas recentemente garantem ao idoso dignidade e respeito, uma vez que muitos deles sofrem calados e não sabem o que fazer.

Denuncie

Em Campinas, casos de abandono ou maus tratos a idosos podem ser denunciados pelo telefone: (19) 3236 3040

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