Comunicação Interna: área promissora para jornalistas e empresas

Monique Ribeiro

“Para você qual a importância do departamento de comunicação interna nas empresas hoje?” Foi a partir desta pergunta que o Digitais buscou a opinião de profissionais da área de comunicação a respeito dos departamentos de comunicação nas empresas, visto que, de alguns anos para cá, dentro do jornalismo essa é uma das áreas mais promissoras a serem seguidas e uma das mais polêmicas também, já que muitos profissionais não acham que é trabalho jornalístico atuar “do outro lado do balcão”, nos chamados jornalismo empresarial e assessoria de imprensa.

Mesmo que muitos não considerem a atividade legitimamente jornalística, é inegável sua importância para o sucesso da comunicação entre empresas e a mídia e para a comunicação direta com os colaboradores. Para a supervisora de Marketing e Comunicação de uma empresa financeira, Carolina Rezende, a comunicação interna na empresa não serve apenas para motivar os colaboradores, mas sim para engajá-los. “A ideia é fazer com que a equipe se sinta bem dentro do ambiente de trabalho, onde todos passam a maior parte de seu dia. Fazer com que realizem com prazer as atividades que lhe são designadas, além de se sentirem à vontade para expor ideias, opiniões, sugestões e críticas”, conta.

Antonio Granziol atua como jornalista há mais de cinco anos em uma empresa de engenharia e construção civil e acredita que a importância de um setor de comunicação nas empresas é a mesma de uma boa comunicação no dia a dia de cada um. “É impossível convivermos com outras pessoas se não ‘falarmos a mesma língua’. Em uma empresa, onde o grau de complexidade das atividades é muito maior, fazer toda a equipe ter informações de qualidade é uma ação estratégica. Compartilhar informações de qualidade e de interesse de todos é algo indispensável”, garante Granziol.

História     

A primeira atividade de comunicação empresarial data de 202 a.C. A origem deste tipo de atividade se deu durante o domínio da China pela dinastia Han, enquanto as primeiras folhas de papel eram fabricadas. Porém o desenvolvimento mais seguro da atividade se deu somente com o início da Primeira Revolução Industrial, no final do século XVIII e começo do século XIX, quando empregadores perceberam que, para obter mais produção em suas fábricas e linhas de montagem, não poderiam tratar os funcionários como meras extensões das máquinas, porque era a partir da motivação e integração desses que a produção aumentava ou diminuía. O jornalismo empresarial e todas as suas atividades foram trazidas ao Brasil cerca de 100 anos depois da primeira publicação empresarial registrada nos Estados Unidos.

De acordo com o livro “Jornalismo Empresarial”, escrito pelo jornalista Francisco Gaudêncio Torquato, foi apenas em 1951 que o primeiro departamento de Relações Públicas de âmbito nacional apareceu no Brasil, e , em 1953, a Organização das Nações Unidas e a Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas inauguram o primeiro curso de Relações Públicas no país. O fato precedeu o desenvolvimento do jornalismo empresarial e o surgimento das primeiras assessorias de imprensa.

Fique atento
Gradativamente as empresas percebem a importância que as redes sociais têm como uma ferramenta de comunicação. Recentemente a empresa Delloite, especializada em auditoria, consultoria, consultoria tributária e Corporate Finance realizou uma pesquisa que contou com 302 empresas de diversos segmentos e portes econômicos, de todo o Brasil. O tema da pesquisa foi “Mídias sociais nas empresas – O relacionamento online com o mercado.” e, a partir dos resultados obtidos é possível perceber que, de fato, cada vez mais empresas investem em redes sociais para propagar sua marca, ideias e produtos. Acompanhe alguns dados da pesquisa pelos gráficos abaixo:

E os funcionários podem usar as redes durante o expediente?  Em parte das empresas, sim. Mas é bom ter cautela e usar, antes das redes, o bom senso. “Redes sociais podem auxiliar na tomada de decisões, mas o cuidado é essencial. Já tivemos casos de desligamento por uso inadequado da rede”, aconselha a assistente de recursos humanos Bruna Mendes Tavares, que trabalha no Comunique-se.

Melhores salários

Cada estado brasileiro tem uma média salarial para a classe dos jornalistas  e em São Paulo, por exemplo,  o piso salarial de um assessor gira em torno de R$ 2.337,82 , enquanto para os profissionais de jornais e revistas da capital, o salário oferecido é de R$ 2.076, uma diferença de R$261,82 no mínimo.

Jornalistas que fazem sua carreira como assessores têm outros pontos de vantagem sobre os colegas de profissão, pelo menos com relação aos salários, isso porque quando adquirem experiência de mercado, eles podem pedir no mínimo R$ 400 por projetos de Assessoria de Imprensa individuais para empresas e cerca de R$ 30 mil quando se especializam – por meio de cursos específicos – em elaborar dossiês.

Para saber o piso salarial de todos os estados brasileiros clique aqui.

Objetivo

Andamento do curso sobre Comunicação Interna, ministrado por Chirles Víginia Oliveira. No total foram 20 alunos reunidos

Atualmente, o papel principal dos departamentos de comunicação dentro das empresas é desenvolver meios para que haja maior integração entre a própria instituição e os clientes e, também, entre os funcionários. Tudo é feito por meio do diálogo e da troca de informações e experiências, com a participação de todos os níveis hierárquicos, sem exceção. Segundo a professora de Comunicação Social e palestrante, Chirles Virgínia de Oliveira a comunicação dentro da empresa é reflexo direto da gestão administrativa e hoje existe uma divisão entre as empresas. “Temos as horizontais, onde a integração empresa-clientes-colaboradores é forte, ou seja, a opinião de todos faz a diferença para os gestores e as sugestões e críticas são sempre ouvidas de maneira aberta. Em contrapartida, nas organizações verticais, os gestores são extremamente conservadores e fechados. Não há nenhuma integração entre o diretor e o trabalhador da fábrica, por exemplo. Ideias não são ouvidas e isso pode desmotivar toda uma equipe”, explica a profissional.

O maior problema que essa verticalização traz, de acordo com Chirles, é o que se chama de “rádio peão” – funcionários descontentes que, juntos, por meio de discursos mal apurados, podem ferir gravemente a imagem de onde trabalham para seus colegas. A comunicação interna bem gerida e planejada ajuda para que isso não traga problemas imensuráveis para dentro das organizações. “É impossível eliminar a força da rádio peão, seja formal ou informalmente. O diferencial é fazer com que os funcionários usem seus comentários e falas entre os colegas a favor da empresa e, para isso é preciso fazer com que eles não se sintam apenas números sem importância nenhuma. Valorizá-los e saber ouvi-los é importante”, alerta a palestrante.

 Ferramentas

 Algumas das ferramentas mais utilizadas para se relacionar com os funcionários são: jornais, revistas, quadro de avisos e murais, boletins, redes sociais, folhetos, intranet, e-mails, newsletter, reuniões ou encontros, programas que envolvam familiares dos colaboradores, rádios e TVs corporativas.

Existem outras ferramentas ainda para avaliar se os produtos desenvolvidos surtem o efeito esperado. “Uma das melhores formas de garantir o retorno dos investimentos e conhecer o potencial de crescimento de uma empresa é através de pesquisas que indicam a forma de pensar dos funcionários.”, complementa George Soros, investidor húngaro-americano que teve alguns de seus conceitos apresentado pela professora Chirles Vírginia durante o curso de Comunicação Interna oferecido no último dia 2, pelo portal Comunique-se.

Essas pesquisas de clima organizacional, como são chamadas pelos profissionais da área, são realizadas a partir de questionários e avaliação de satisfação que permitem perceber a reação dos colaboradores diante das ações implantadas pela empresa. Sabe-se que um funcionário desmotivado trabalha apenas com 8% de sua capacidade de produção, enquanto o motivado pode chegar a empenhar 60% de sua capacidade mental numa determinada atividade.

Dicas

Confira abaixo algumas dicas de Chirles Virgínia de Oliveira sobre o futuro da comunicação em empresas conservadoras, conselhos para empresas que querem melhorar sua comunicação e dicas importantes para aqueles que querem fazer carreira na área de jornalismo empresarial.

E para você, a comunicação interna nas empresas é mesmo importante?

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