Entrevista com fotógrafo Matt Blum, idealizador de “The Nu Project”

The Nu Project
The Nu Project
Com 72 quilos a menos depois de operação, norte-americana decidiu participar do projeto. (Foto: Reprodução / Matt Blum)

Por Talita Bristotti

O Brasil recebe, pela segunda vez, o The Nu Project, projeto de fotografia que procura retratar mulheres normais com suas imperfeições. Mais de 700 voluntárias de diferentes regiões do país já se inscreveram para as sessões que serão realizadas em novembro. As modelos não pagam e nem precisam pagar para participar do projeto – Blum envia algumas cópias das imagens a elas.

Por Skype, a equipe do Digitais conversou com o fotógrafo norte-americano e idealizador do projeto, Matt Blum, que não revelou qual equipamento usa, pois acredita que “aqueles que querem fazer imagem legais, conseguem fazê-las com qualquer equipamento”. Com 30 anos de idade, ele trabalhou por dois anos para a Igreja Católica até que, em 2004, decidiu arriscar e transformar seu hobby em emprego. Casado, ele e sua esposa, Katy, esperam a vinda do segundo bebê – motivo pelo qual não permanecerão por muito tempo no Brasil.

Porque você criou o Nu Project?
O projeto começou em 2005. Eu comecei a fotografar pessoas normais porque eu percebi que a maioria dos fotógrafos faz duas coisas: 1) eles fotografam as pessoas mais lindas que conseguem encontrar, fazendo a “melhor” fotografia possível ou 2) fotografam pessoas normais, deixando-as extremamente normais. Então pensei que poderia usar pessoas normais e, ainda assim, fazer imagens maravilhosas. Parece estúpido, mas foi o que pensei!

Você realiza algum tipo de edição nas fotografias?
Eu uso Photoshop, mas no melhor jeito de ser usado: para destacar o objeto da fotografia. Eu não deixo as pessoas magras, removo partes permanentes do corpo ou estrias. A única coisa que corrijo é onde a luz poderia ficar melhor e onde as sombras estão muito escuras, coisas que poderiam ser melhoradas durante a sessão. Eu também me sinto a vontade para remover espinhas e hematomas, imperfeições que são temporárias.

Porque o “nu”? Não é possível ter modelos normais e com roupas, e conseguir fazer fotos sensacionais?
Com certeza e existe vários exemplos de quem faz isso muito bem. As roupas, no entanto, escondem muito e este projeto foca em estar aberto e confortável. O Nu Project me ajuda a ser um melhor fotógrafo e também na promoção da beleza natural – duas coisas com a qual me importo muito. Quando alguém está pelado, está totalmente exposto e isso ajuda na conexão comigo, com a câmera e com si próprio.

Você fotografa apenas mulheres. Isso pode mudar algum dia?
Eu pretendo incorporar homens gays no projeto, já que os homens héteros costumam se importar com outras questões além da imagem corporal… Mas eu posso estar errado sobre isso.

Como é a produção das sessões? Onde é feito e como a modelo se prepara?
Temos que pensar na logística e na fotografia. É fácil fazer imagens bregas e excessivamente sexuais, o difícil é ter respeito e, ao mesmo tempo, sensual. Fazemos a sessão, geralmente, na casa das modelos e peço para que não usem muita maquiagem. Quero como elas são, sendo elas mesmas.

Você já ganhou salário/remuneração com o The Nu Project?
Por enquanto não, faço isso para meu desenvolvimento como fotógrafo. Eu adoraria expor em algumas galerias e tentar fazer dinheiro assim. Estamos planejando um livro para um futuro próximo. Colocamos publicidade no site para ajudar a bancar a sessão no Brasil, mas se for pensar no que já gastamos e o que estamos ganhando, poderia afirmar que estamos no vermelho.

Você sempre se refere ao projeto no plural. É por causa da sua esposa? Ela te ajuda no projeto?
Ela faz a edição, cuida do nosso estúdio e eu também gasto o dinheiro dela! Se alguém fala “nossa, deve ser estranho ter seu marido fotografando mulheres nuas”, ela sempre responde como acha meu trabalho maravilhoso. Conheci ela no ensino médio e namoramos por 11 anos. Em junho de 2010 casamos e em dezembro do ano passado nosso primeiro filho nasceu. Inclusive, vamos ficar apenas duas semanas no Brasil, por que temos outro bebê a caminho!

Como funciona a relação fotógrafo-modelo?
É algo que necessita de grande confiança ou as imagens ficam horríveis, e é preciso também que haja diálogo. Às vezes acontece das modelos pensarem em posições ou em fazer algo diferente e sempre acaba ficando legal.

Você elegeria alguma sessão que mais o marcou?
É algo difícil de responder. Desculpe o clichê, mas sempre tem histórias maravilhosas, experiências e risadas compartilhadas. Então diria que 90% das sessões são ótimas.

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s