E quando o sonho é ser artista?

Gláucia Franchini

Sonho, objetivo, meta, vontade, necessidade. Cada um define de um jeito. E é de várias formas que chegam lá. Outros não chegam. Encontram obstáculos, barreiras, contratempos e acabam tendo que mudar de caminho. Uns não desistem, independente do tempo que demore.

Sonhar ser advogado, médico ou engenheiro parece mais plausível quando, para se alcançar, o grande desafio depende da dedicação pessoal aos estudos. Mais difícil, talvez, seja depender da sorte ou de “cair no gosto do povo”.

Na onda do sertanejo universitário, muitos cantores jovens estão se destacando. Muitos num universo com outros tantos. Uns com ajuda de amigos, parentes. Mas, tem gente que começa do zero.

Há quase duas décadas a dupla Guilherme e Santiago se insere no mundo do sertanejo e reconhece que alcançar o sucesso é uma grande vitória. A satisfação vem ao ouvir as fãs cantando e gritando os nomes dos cantores. Guilherme fala da gratificação de se manter nas paradas sucesso mesmo com tanta gente no mercado, e reforça a importância de se dar oportunidade a quem está começando.

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E esse pessoal geralmente começa bem cedo. Com sorte, talento e aprovação do público, em muitos casos o sucesso vem na juventude, como aconteceu com cantor Gusttavo Lima, que com 22 anos estourou nas rádios e vídeos da Internet. Ele ressalta a importância de se ter um preparo antes da fama e conta que no começo cantava em festas de aniversário e casamento, o que inclusive permitiu a construção de uma carreira mais sólida.

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Buscando o sucesso

A dupla Jackson e Alessandro é da cidade de Campinas e pelo município de nas redondezas, que faz shows nas casas noturnas, além de eventos solidários. Já tem um CD gravado, com músicas de autoria da dupla.

Ainda sem o estouro nacional, cantam músicas do passado, do presente (o tal sertanejo universitário) e divulgam as composições próprias.

E enquanto o sucesso não vem

Oscar Bottaro é professor, poeta e seu mais projeto é uma banda musical: “Estamos em fase de ensaio ainda. Quando sentirmos que estamos legais, vamos fazer shows por ai”.

Enquanto as apresentações não acontecem e o sucesso não chega, Bottaro teve a ideia de criar um blog dedicado à música. A princípio queria escrever para praticar textos críticos, além disso unia o gosto pela música sertaneja.

Oscar, inclusive, soube aproveitar o momento: “Não deixa de ser tendência já que é o estilo musical da moda. Hoje o mercado sertanejo está farto, há espaço para todos, mas os artistas estão apostando em sucessos e estão esquecendo da carreira.” A crítica que o poeta faz está relacionada às composições, que segundo ele, hoje em dia, são feitas “em rimas fáceis, refrões fáceis, que logo caem no esquecimento”. Ele reforça que o que fica são os nomes mais fortes e consolidados e as “modinhas” acabam passando.

Ainda sem a banda formada, Bottaro aposta nas poesias e na formação como professor.

O problema é o mercado?

O que não passa é a vontade de chegar lá. O sonho ultrapassa barreiras de estilo. Armando Sagula Neto já tem uma banda formada e consolidada: “Cada ano que passa, cada fim de semana, cada vez que entramos em um estúdio para produzir um novo material eu tenho certeza de que esse é meu grande sonho”.

O grupo “ZéAmais”, no qual ele é guitarrista já tem mais de dois anos, com a mesma formação e proposta. Quanto ao estilo, o estudante de 23 anos assume que é difícil responder: “Essa é uma pergunta sempre complicada, porque alguns classificam como Pop Rock e a maioria como Rock. A gente simplesmente considera que toca Rock.. Rock n roll clássico nacional”.

A dificuldade também é encontrada quando se olha atentamente para o mercado musical. De acordo com Armando, a música no Brasil ainda é algo muito desvalorizado e desigual: “O mercado está bem pobre. Pelo menos na nossa visão tudo virou muito comercial, sem conteúdo musical e poético. A geração anterior a nossa, lutava por algo e fazia com que os jovens daquela época ouvissem algo de qualidade. Hoje não se tem mais isso, tudo é em função do dinheiro, e não mais do que é bom ou ruim”.

A banda já tem seis músicas gravados de forma independente. Neste ano lançaram o primeiro compacto de uma série de três e a previsão é que no final de 2012 seja lançado o primeiro CD.

Sobre as paradas de sucesso, Armando acredita que possa ser uma consequência e afirma que o reconhecimento é o grande objetivo do trabalho: “Nosso objetivo é fazer com que nosso trabalho atinga as pessoas, a crítica e que as pessoas que ouvirem nosso trabalho consigam entender a mensagem que tentamos passar”.

Editada por Bruno Moreira

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