É crescente o número de mulheres que denunciam agressões e abusos em Campinas

Monique Ribeiro

Após a divulgação da pesquisa que originou o documento “Mapa da Violência de 2012: Homicídios de Mulheres no Brasil”, feita pelo sociólogo Júlio Jacobo em parceria com a Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais – FLACSO – e com Instituto Sangari,  a delegada Licia Couto Lustosa Cordeiro, que atua na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) desde 1993 foi entrevistada para levantar informações sobre violência contra mulheres na cidade de Campinas e região. Para ela, o aumento do número de queixas registradas pelas mulheres é perceptível e está diretamente ligado ao crescimento populacional da cidade, que tem como fatores principais: o crescimento em área, população residente e população flutuante – pessoas que estudam e trabalham em Campinas, por exemplo, mas não moram na cidade.

Nos últimos 10 anos o número de mulheres que sofreram agressão – tanto física, quanto verbal – aumentou significativamente, porém o número de homicídios não variou da mesma maneira, sendo registrados poucos casos.  As informações foram passadas com base em registros e relatórios anuais feitos na delegacia para controle interno. Durante a conversa com Licia Couto, o Digitais não teve acesso a esses documentos.

Lei Maria da Penha (11.340/2006)

Aprovada há seis anos, proporcionou mudanças importantes no atendimento das mulheres que sofrem agressão. Muitas delas estão mais seguras de seus direitos e certas de que devem ir até a delegacia prestar queixa quando sofrem qualquer tipo de abuso, principalmente as mais jovens, mesmo que os homens não se sintam inibidos com as possíveis punições. Porém não se pode negar que com a aprovação da Lei Maria da Penha surgiram problemas na Delegacia da Mulher em Campinas pela grande demanda de atendimentos diários. Agora, a vítima que sofreu lesão corporal pode prestar queixa sem ter necessidade de representação e isso contribuiu muito para o aumento no números de mulheres que vão até para denunciar as agressões.

Alessandra Cunha é um exemplo dentre tantas mulheres que passam pela DDM todos os dias. Ela  foi agredida quando morava com seu ex-companheiro, um caminhoneiro, com quem teve um relacionamento atribulado.  Ao descobrir que estava grávida, contou a  ele, que não aceitando a situação, começou a escanca-lá . “Tive medo de perder meu bebê, muito medo. Mas mesmo assim não deixei de vir aqui para dar queixa dele. Toda mulher que sofre com isso deve ter coragem e não ser burra. Deve denunciar sim.”, declarou.

Para saber mais leia também: Mudança na Lei Maria da Penha lota Delegacia da Mulher

Casos a parte

Em Jundiaí os casos de violência contra mulher também são frequentes, contudo é comum que as vítimas acionem a polícia apenas para que os policiais se desloquem até suas casas, para conversar com os agressores e nada mais. Encaminhar os indivíduos até a delegacia mais próxima está fora de cogitação para muitas delas.

Com 24 anos de atuação no 11º Batalhão de Jundiaí, a cabo da Polícia Militar (PM) Rosângela Mota conta uma situação da qual foi testemunha durante uma ocorrência “Atendi uma ligação há um tempo e eram vizinhos de uma vítima que estava sendo espancada pelo companheiro. Ouvindo os gritos eles só pensaram em ajudar e por isso chamaram a polícia. Quando a viatura chegou ao local passado pelos vizinhos, a mulher que já estava muito machucada, não gostou da intervenção das pessoas e ficou ainda mais irritada com os polícias que estavam ali. Ela fez a seguinte pergunta a eles: ‘Então quer dizer que agora meu marido não tem nem o direito de me bater mais? Até nisso as pessoas querem meter o bedelho?.’ ”

Se souber, denuncie

Para casos de agressão que você queira denunciar imediatamente, ligue 190.
Se desconfiar que alguém que você conheça esteja sofrendo algum tipo de abuso, ligue 181. Aqui o atendente irá registrar sua denúncia e repassar a suspeita para averiguação.

A identificação não é necessária em nenhum dos casos.

Confira abaixo a entrevista completa com a delegada,e ao final do áudio, você terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre  a história de uma mulher em estado terminal de câncer, que apesar de seu estado de saúde, sofria maus tratos físicos e ofensas verbais com frequencia.

Editado por Rayssa Fagundes

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