Estudante propõe livro on-line de histórias íntimas

Clara Friedrich

Ao descobrir infinitos textos particulares esquecidos em gavetas, a estudante de jornalismo Izadora Pimenta teve uma ideia: montar um livro virtual com uma coletânea de textos enviados por amigos e quem mais se interessar.

izadora
Izadora Pimenta coleta e compila o material recebido desde o início deste ano

Focando em textos que seriam ‘secretos’, a iniciativa de Izadora é surpreender quem visita o ebook, que se veria dentro do imaginário e do íntimo dos contribuintes. A restrição é apenas uma: que os textos nunca tenham sido mostrados a ninguém.

De imediato, a estudante contatou amigos próximos. Agora, espera coletar mais conteúdo durante os meses de abril e maio, para que o site seja lançado já com material no mês de Agosto.

Todos os temas são válidos e, em anexo ao material, deve-se fornecer um pequeno perfil de quem publica. A pessoa opta por se identificar ou não: uma descrição básica pode ser o suficiente. O importante é buscar diálogos, monólogos, histórias, artigos ou relatos que mostrem pontos de vista e realidades de vida diferentes para o leitor.

Em entrevista ao Digitais, Izadora relata o fundamental para postar no ebook: “É preciso um pouco de coragem. Acredito que muitas vezes as pessoas não se sentem confortáveis para divulgar esses textos por aí por pensarem que estão sozinhas. Em grupo, em um ebook diagramado, tudo fica bem mais tranquilo, não é? Muitas pessoas já disseram gostar da iniciativa principalmente por isso.”

E você, leitor do Digitais, o que acha desse projeto? Estaria disposto a publicar textos pessoais?

Para enviar algum texto de sua escolha, o email izadora.pimenta@gmail.com é a porta de entrada.
Queremos a sua opinião!


13 comentários

  1. Penso: se a iniciativa seria de os textos serem secretos, ela sempre estaria em uma jornada sem fim atrás desses textos esquecidos por ai, e a partir do momento que ela trouxe isso a público, o que tinha de secreto nos textos que ninguém queria compartilhar, tornam-se textos que os contribuintes tem vergonha ou medo ou alguma restrição de falar ele mesmo, e assim usaria isso para dar um recado ou uma mensagem, ele escreveria o texto pensando já que ele seria visto, e não escreveria pensando que ninguém nunca leria. Mesmo que quando você tira algo da sua cabeça e passa para o papel, você no fundo tem uma esperança de que algum dia isso será lido, ou que se o mesmo esquecer do que escreceu, ele pode recorrer à essa lembrança. Acho que a proposta está atrapalhada, mas é uma boa iniciativa para as pessoas compartilharem “secretamente” seus pensamentos. Mas não difere muito de um forum de internet.

    1. Não sei, não, G…
      Se a divulgação e o interesse forem grandes, as pessoas vão acabar procurando a autora pra expor os seus segredos, desejos, acontecimentos. É mais ou menos o que acontece com o Post Secret, só que de uma maneira um pouco mais declarada. Colocar pra fora faz parte, é de nosso interesse direto, atingindo ou não atingido pessoas envolvidas. Colocar para fora e ser lido, ver seu sentimento exteriorizado. Mesmo que de uma maneira muito sutil, alivia um pouco saber que isso já não vive só dentro de si.
      Do outro lado, a curiosidade também faz parte, e é tão importante quanto. Saber que outras pessoas tem problemas emocionais tão reais e escondido quanto os seus traz conforto, gera uma identidade coletiva. Ler o problema dos outros faz aceitar os proprios dentro da normalidade. O projeto dos cartões postais virou febre, depois virou livro. Provou que expor pode ser tão interessante quanto ver exposto. Acho que esse tem tudo para seguir um rumo parecido!

      1. Concordo com o Diogo! A proposta é justamente essa, de tomar uma iniciativa de coragem e expor um pouco de si. No final das contas, declarar alguns segredos que fazem parte de quem se é e se expor são coisas incrivelmente difíceis para algumas pessoas, cuja autoconfiança pode ser ajudada com a iniciativa.

  2. Acho a proposta interessante, por trazer mesmo que anonimamente um painel de nosso tempo . Será que no particular somos tão modernetes quanto no publico ?Até que ponto somos influenciados no nosso desejo ?Em um tempo onde só tem vez a beleza padronizada, amores platônicos cheios de volúpia ganhariam vida .

  3. Eu achei essa matéria interessante só acho que essa hisória de ficar escrevendo livro com histórias íntimas é uma tentativa de chamar a atenção das pessoas muitas vezes quem escreve nem tem tanta coisa boa pra falar mas acha que tem que sair contando a sua vida pros outros. as vezes tá só querendo ficar famoso
    mas enfim a vida é de cada um quer escrever, escreva

  4. Eu concordo em partes com o G e com o Diogo.

    Há a possibilidade de os textos perderem uma parte de sua ideia original, já que o fator ‘secreto’ pode ser descartado por cada autor.

    Mas essa proposta pode se tornar um veículo forte para os que querem ingressar no mercado, ou simplesmente compartilhar seus sentimentos e afins.

    1. Ah, sim!
      Acho que só vale se for algo que a pessoa já tenha, seja 100% verdadeiro, e resolva mandar para entrar no livro. Escrever algo só para mandar, realmente, saí um pouco do contexto. Na minha opinião…

  5. eu acho que a ideia é interessante pois permite às pessoas testar o ambiente a sua volta, a aceitação de uma ideia ou postura frente a temas tabu.
    existe uma hipocrisia enorme em torno do que é correto e moral. principalmente porque uma parte de nós sempre quer fazer o que é “incorreto”. até por que se não houvessem essas regras dizendo que “isso não pode”, as pessoas fariam muito mais, provavelmente porque é natural do ser humano. Não creio que exista certo e errado, tal qual a justiça, para mim são conceitos criados pelo homem.
    todos nós temos segredos íntimos demais para compartilhar com as pessoas que confiamos. porém é muito mais fácil compartilhar com completos estranhos pois eles não estão perto o suficiente para nos julgar. eu acho que isto funcionaria como válvula de escape para as pessoas que tem histórias e desejos que, na nossa sociedade moralista e hipócrita, são vistos como estranhos e bizarros.

    dizem que de cego e de louco todo mundo tem um pouco. eu adicionaria “safado” a esse provérbio. afinal, todos nós gostamos de coisas que não temos coragem de contar, não é mesmo?

  6. Acho que pode ser um livro interessante. Mas se, e somente se, ela trabalhar bem o conceito por trás das peças. São segredos? São sentimentos? Confissões? De alguém para outro alguém? De alguém para si mesmo? Creio que quanto mais específico for, mais interessante fica.

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