Instituições investem na motivação de seus alunos

Leandro Bettiol

Motivação. Essa é a palavra para quem tem uma meta a seguir sem acabar desistindo no meio do caminho, até que consiga alcançar seus objetivos. Quase uma regra dentro das atividades acadêmicas, cursos pré-vestibulares ou concursos públicos.

Para quem foi reprovado nos vestibulares, os cursinhos são uma opção para rever todo o conteúdo do colegial e conseguir a tão sonhada vaga na universidade. Para isso, a motivação é fundamental para obter resultados positivos nas provas e não desistir antes de alcançar a meta estipulada. O professor de curso pré-vestibular Wagner Carboni avalia que poucos cursos oferecem apoio no sentido de incentivo, mesmo após uma reprovação. “Trabalhamos com a ideia de orientar os estudos e a organização do tempo útil de preparação, bem como alternativas em casos de ansiedade mais graves”, disse.

Outro ponto importante destacado pelo professor Carboni é a postura do docente em sala de aula com relação ao conteúdo, que deve ser transmitido de forma mais acessível. A estudante de Odontologia da Unicamp (Universidade de Campinas), Thaís Martins Zago, lembrou que na época em que fez o curso pré-vestibular, a motivação foi crucial para que se empenhasse cada vez mais. “Meus professores incentivavam bastante e para qualquer dúvida podíamos procurá-los. Durante as aulas os professores faziam brincadeiras para descontrair e sempre davam exemplos de outros alunos que passaram por lá e se deram bem no vestibular”, contou.

No caso dos concursos públicos, o baixo número de vagas e a grande quantidade de alunos concorrendo contribuem para que muitas pessoas desanimem antes mesmo de realizarem as provas. Nesse caso, a motivação se faz necessária para que os candidatos se dediquem e, mesmo que sejam reprovados, tentem outras vezes. Para o agente de controle de endemias, Adeilton Lopes Pinheiro, concursado desde 2008 no cargo, um dos fatos para a desmotivação é a baixa remuneração. “Por ter acabado de concluir o colegial na época, não senti dificuldades e fui aprovado. Agora, prestes a terminar a graduação, penso em prestar outro concurso que ofereça melhores condições salariais e isso já serve de incentivo para me dedicar e ser aprovado”, explicou.

Leandro Bettiol
Motivados, alunos não desanimam e encaram apostilas e estudos até alcançarem a aprovação

A PUC-Campinas desenvolve um projeto especial chamado PAAA (Projeto de Acompanhamento Acadêmico do Aluno) que se baseia no trabalho de motivação considerado fundamental para que os estudantes não percam o foco durante o curso universitário. “Nesse projeto fazemos com que o aluno conheça as bases de sua profissão, experiências de profissionais e fortalecer o envolvimento do estudante com a área escolhida, o incentivando a assumir mais responsabilidade pela sua aprendizagem e podendo ser mais atuante”, explicou a professora Juleusa Maria Theodoro Turra.

A organização de eventos, semanas de estudo e projetos que envolvam os alunos, como monitorias, estágios ou iniciações cientificas, são formas de deixar o estudante motivado mesmo após um dia intenso de trabalho, fazendo com que tenha ânimo a dar continuidade a sua graduação. Para a estudante Renata Cristina Soares Santos, recém-aprovada no curso de Artes Visuais da PUC-Campinas, “no PAAA os professores puderam expor todo o curso, as profissões possíveis a serem seguidas e tendências para o mercado”. Além disso, conheceram os laboratórios que serão utilizados nas aulas e fizeram uma tela, em que todos juntos mostraram seu estilo e formas de interpretar a arte.

Cursando o primeiro semestre de Relações Públicas, Eloise Caneva considerou o PAAA interessante justamente pela integração com os colegas de classe. “As aulas eram bem dinâmicas e conhecemos toda a universidade. Fizemos uma gincana em que tínhamos que ir até a biblioteca e escolher livros do curso, para assim conhecer tudo o que a faculdade pode nos oferecer”, contou Eloise.

Dessa forma, o aluno não pode achar que tudo está perdido somente por ter sido reprovado, já que sempre existirá a possibilidade em se fazer o exame novamente. “Mostramos ao jovem que sua vida e seus valores como ser humano não estão relacionados com uma aprovação ou reprovação em uma prova e que ele irá continuar sendo a pessoa que sempre foi, não tendo seu valor diminuído em função disso”, esclareceu a psicóloga Beatriz Fernandes.

Leandro Bettiol

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