Reuso de água pode reduzir danos ambientais da construção civil

A construção civil é uma das atividades humanas que mais causam danos ao meio ambiente no mundo. Segundo dados da ANAB (Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica) cerca de 50% dos recursos extraídos da natureza são destinados ao setor e, no caso do Brasil, ele é responsável pelo consumo de 40% dos recursos naturais e da energia produzida, 34% da água, 55% de madeira não certificada, além de responder pela produção de 67% da massa total de resíduos sólidos urbanos.

No que diz respeito ao consumo de água, os índices ligados aos rios que abastecem a RMC (Região Metropolitana de Campinas) já preocupam desde o fim do ano passado, quando uma pesquisa sobre a bacia do PCJ, que abriga os rios Piracicaba, Capivari e Atibaia, revelou que a demanda desses três rios é maior do que eles podem oferecer. A quantidade de água por habitante é quatro vezes menor do que a ONU recomenda como uma bacia crítica.

Investimento

Existem técnicas simples que podem ajudar tanto na redução do impacto da construção civil quanto na economia de água dentro de casa, como a cisterna, um sistema de reuso da água da chuva que segue por encanamento específico, em separado da água potável, fornecida pelas companhias de saneamento com a finalidade principal de abastecer o consumo humano. Segundo o arquiteto Welton Curi, o principal retorno que a instalação da cisterna traz é no meio ambiente e não no bolso, o que leva muita gente a desistir do projeto. “Com o armazenamento da chuva, evita-se a aglomeração de águas, controlando a enxurrada. Em vez de construir um ‘piscinão’, como muitas cidades fazem, seriam várias ‘piscininhas’, no entanto, quem está construindo se sente desmotivado diante do valor. Só segue com a ideia quem tem muita consciência ambiental e social”.

A empresária Fátima Frediani fez as contas e decidiu instalar o equipamento em sua casa. Pelos seus cálculos, baseados no consumo mensal médio de uma residência com quatro moradores e partindo da ideia de que 30% do consumo da casa são em atividades de limpeza, (portanto não precisa de água potável) ela vai levar nove anos para recuperar os R$ 4.500,00 investidos na cisterna. Mas a matemática dela não se restringe ao próprio bolso. “Em uma cidade como Campinas, com 1,2 milhões de habitantes, a economia mensal seria de mais de 12 milhões de reais e, em um ano, esse valor chegaria a quase 150 milhões de reais, o suficiente para implantar o sistema completo de capitação, abastecimento, distribuição de água e coleta, afastamento e tratamento de esgoto de uma cidade de 60 mil habitantes”. Com todos esses números, Fátima defende que reaproveitar água nas tarefas extras, em Campinas, significa oferecer recursos que levem qualidade de vida e saúde a cidades menores a cada ano.

Quem quiser conhecer ideias ainda mais verdes e criativas pode conferir os 11 prédios que são referência na arquitetura sustentável no site Coletivo Verde.

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