Indústria têxtil pede “socorro” ao governo e prepara manifestação

Representantes do segmento têxtil do polo industrial de Americana pretendem demonstrar o descontentamento com as medidas que facilitam a entrada de produtos importados. A manifestação está marcada para esta quarta-feira (4), às 10 horas, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na capital.

As indústrias têxteis no polo de Americana, na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o maior da América Latina, cobram participação maciça no ato, com o envolvimento de empresários e trabalhadores para a defesa dos empregos do setor. A intenção é pressionar o governo federal e demonstrar a necessidade de medidas urgentes para o setor. Para eles, as importações desestimulam a industrialização brasileira.

As indústrias do polo de Americana estarão representadas por empresários e trabalhadores filiados ao Sindicato das Indústrias Têxteis de Americana e Região (Sinditec). “Não existe mais espaço para negociação sem uma mobilização. O setor industrial deve mostrar a sua força enquanto ainda a tem”, afirmou o presidente do Sinditec, Fabio Beretta Rossi, em coletiva de imprensa realizada na última segunda-feira.

O Sinditec, a Associação Comercial e Industrial de Americana (Acia), deputados da região e representantes de trabalhadores do setor, aproveitaram o encontro e clamaram pela participação do empresariado na manifestação. O deputado federal Vanderlei Macris (PSDB) e os deputados estaduais Antonio Mentor (PT) e Francisco Sardelli (PV) destacaram que somente a intervenção política não resulta no mesmo efeito que uma manifestação de grande porte proporciona.

Bruno Moreira
Lideranças do setor estiveram reunidas em Americana

O setor considera que a principal medida a ser tomada pelo governo para recuperação da indústria está na desoneração dos impostos sobre a produção, passando-a para o consumo. Com isso, segundo o empresariado, o governo não abriria mão da arrecadação e a carga tributária se igualaria a do produto importado.

“Com o dólar baixo, simplesmente não existe indústria. Ela está fadada ao desaparecimento”, disse Beretta Rossi. Além disso, ele citou a facilidade existente para a entrada de produtos estrangeiros e alta carga tributária brasileira.

As principais crises da indústria, principalmente a do setor têxtil, estão ligadas à facilidade de aquisição de produtos originários de outros países a preços mais baratos do que os praticados no Brasil. Em Americana, por exemplo, os piores momentos foram vividos na década de 1990, com a aquisição de tecidos coreanos, e em 2005, com a abertura da porta de entrada para a produção chinesa.

Apenas no ano passado foram 2,1 mil demissões no setor têxtil de Americana e 1,3 mil em Santa Bárbara d’Oeste, as duas principais cidades do polo.

Diante disso, o Digitais pergunta: o estudante universitário tem interesse em fazer carreira na indústria?

3 comentários

  1. Diante de tanto desestímulo por parte do governo, com certeza a pressão sobre os funcionários é muito grande. Em uma empresa que vive na corda bamba, onde as demissões são rotineiras, só há espaço para stress e cobrança excessiva por parte dos patrões.
    Em uma indústria nesta situação eu jamais trabalharia.

  2. Quem já trabalhou na indústria (têxtil, como é meu caso) sabe como o setor é instável e que essas medidas que facilitam a entrada de produtos importados criam um clima de tensão entre os funcionários, pois sabem que a qualquer momento podem ser cortados para redução de custos. E os funcionários que ficam na empresa sofrem com a cobrança para produzir a mesma quantidade de outrora. Hoje a indústria não é o melhor lugar para trabalhar.

  3. Pelo que tenho acompanhado, o problema é o seguinte: dólar baixo e importações a preços ridículos vindo da Ásia estão quebrando o setor. Os empresários reclamam disso o tempo todo às entidades. E, no momento em que uma mobilização como essa é marcada, para defender os interesses do setor, o empresariado e os trabalhadores delegam somente às entidades o papel de representa-los junto às autoridades. Contudo, essa é uma briga de todos os envolvidos. Nesse ritmo, se nada for feito, já foi comprovado que a indústria nacional tende a fechar as portas, dando lugar apenas às exportações, gerando emprego na China, e não do Brasil. A minha impressão é de que o pessoal mais interessado ainda se tocou de que eles mesmos é que precisam se colocar à frente da defesa dos próprios interesses. E, se nada mudar, cada vez mais o público universitário vai se afastar da área.

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