73% dos moradores de rua de Campinas são usuários de drogas

Dados da Secretaria de Cidadania, Assistência e Inclusão Social mostram que houve um acréscimo de 20% no número de moradores de rua em Campinas. Hoje são 658 pessoas nessa situação na cidade, frente a 550 em julho de 2011. A pesquisa da Secretaria mostra ainda que 35% deste total é egresso do sistema prisional e 73% são usuários de drogas.

Segundo o idealizador da ONG Sou Feliz Sem Drogas e ex-coordenador do programa anti-drogas da Prefeitura de Campinas Nelson Hossri Neto as drogas mais usadas são o crack e o álcool. “São duas drogas de fácil acesso. Não tem fiscalização com a bebida alcóolica e com o crack, que por ser uma droga barata favorece o uso”, esclarece.

Para ele, é necessário prevenir, tratar e reduzir danos. “Infelizmente o poder público vem provando que não sabe lidar e não está preparado para implantar políticas públicas. Eu vejo necessidade de um padrão de tratamento e a criação de um centro de tratamento municipal”, afirma. Hossri Neto diz que o usuário de crack precisa de um tratamento diferenciado. “O CAPS AD é um servico que funciona, mas não para todas as drogas. O usuário de crack precisa de um tratamento especializado. Um dependente de crack internado com usuários de maconha, cocaína e álcool acaba atrapalhando a recuperação”, explica.

Crise política
A Coordenadoria de Prevenção às Drogas foi extinta em setembro de 2011, logo quando Demétrio Vilagra assumiu a Prefeitura de Campinas. O programa funcionou por 4 meses e atendeu 116 pessoas. “Quando ele assumiu, colocou as pessoas dele na administração. Mas cometeu um erro com a Coordenadoria, um ato gravíssimo, já que paralisou, prematuramente, uma política pública que atendia 116 usuários, entre família, escolas, empresas”, declara.

Em 18 de outubro do ano passado, Nelson protocolou representação ao Ministério Público para exigir que a Prefeitura retome as políticas públicas voltadas ao combate ao crack e outras drogas. Ele afirma que a atual administração já tem se mostrado favorável a inserir um programa anti-drogas na cidade, mas somente depois das eleições indiretas. “Não faço questão de voltar para prefeitura, principalmente na situação em que se encontra”, revela.

1 comentário

  1. Estranho o Senhor Nelson responsabilizar a gestão do prefeito Demétrio Vilagra pelo desmonte da Politica de Combate às Drogas no município. Pois, exatamente na semana passada, o SUS Campinas inaugurou mais um CAPS AD III que funciona 24 horas na região do Taquaral, que é específico para dependentes de alcool e droga, com 8 leitos de internação para os períodos que os pacientes entram em crise. .A Política Nacional de Combate às Drogas, como o nome diz, é nacional, e prevê nesses Centros um tratamento feito com equipe multi profissional. Cada prefeitura envia projetos para receber recursos e instalar equipamentos. Em Campinas há 7 CAPS III.
    Outra coisa, se a ONG do Sr Nelson fazia um trabalho com familiares e empresas, com certeza, esse trabalho não atingiria os moradores de ruas que não têm família e nem emprego.

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