Sistemas fotovoltaicos: uma alternativa limpa e não tão distante

Um instrumento para geração de energia elétrica limpa e renovável, com baixo custo no longo prazo e ao alcance de proprietários de  residências e pequenos imóveis: Esses são os ingredientes da invenção desenvolvida pelo engenheiro elétrico Jonas Rafael Gazoli, formado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com mestrado pela própria instituição, cujo foco é voltado ao estudo de sistemas fotovoltaicos.

Jonas trabalhou para o surgimento do primeiro inversor de tecnologia nacional que transforma a energia térmica do sol em eletricidade para utilização em aparelhos e equipamentos domésticos, através do uso de painéis instalados nos telhados dos imóveis. A tecnologia permite que qualquer pessoa tenha em casa uma placa solar com o inversor acoplado e possa fazer uso da energia solar transformada em elétrica.  Agora, o desafio é torna-lo usual.

O estudo que norteou o mestrado de Gazoli foi conduzido no Lepo (Laboratório de Eletrônica de Potência), que funciona na Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp. O financiamento da pesquisa foi realizado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O pesquisador esclarece que nos sistemas denominados de fotovoltaicos, o objetivo, basicamente, é converter eletricidade de corrente contínua colhida pela placa instalada nos imóveis em energia de corrente alternada para ser injetada na rede elétrica. O aparelho torna a energia compatível com as tensões de 127 e 220 volts. “Sem ele (inversor), não é produzida a eletricidade. Ele faz o papel mais importante”, explica.  “No sistema residencial, são instalados de 5 a 15 painéis, de acordo com o tamanho do imóvel. Isso reduz o custo do sistema e melhora a eficiência. Hoje já é financeiramente viável”.

O investimento nessa modalidade, segundo o engenheiro elétrico, gira em torno de R$ 15 mil, valor que pode ser pago de oito a dez anos, dependendo da região do país e das formas disponibilizadas pelas empresas do ramo.  O abastecimento de eletricidade fica garantido por até 25 anos, quando há necessidade de substituição de placas. Os testes sobre a eficácia do método foram realizados com simuladores de painéis instalados no Lepo.

Gazoli ressalta que o principal impacto direto é sentido na conta de energia elétrica, já que a utilização da energia fornecida pela concessionária será necessária apenas durante o período noturno. Além disso, a intenção é que a eletricidade extra, acumulada ao longo do dia e não consumida, ainda possa ser disponibilizada na rede para uso da própria concessionária.

“O sistema pode ser projetado para suprir toda a residência ou para exceder a quantidade consumida”, lembra Gazoli. “Se não chegar a ser autônoma, a residência torna-se, no mínimo, sustentável”, acrescenta o coorientador da pesquisa Marcelo Gradella Villalva, professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) e doutor em Engenharia Elétrica na Unicamp.

O modelo criado deve servir como base para difusão da tecnologia em escala comercial. O próximo passo para Rafael Gazoli é inovar ainda mais a pesquisa, através do Doutorado, o qual já iniciou.  “Agora é preciso haver ainda mais inovação. É importante tornar o sistema mais seguro, mas ainda não é possível adiantar o que será feito”, ressalta.

Funcionamento do sistema fotovoltaico, responsável pela transformação da energia

Fontes renováveis em alta

 

O momento atual é favorável à procura de energias alternativas. O sistema fotovoltaico é uma opção, apesar de ainda estar engatinhando no país. Na Europa e Estados Unidos, o modelo já é usual, o que deve ocorrer no Brasil entre três e cinco anos, segundo os pesquisadores.

Apesar disso, o Lepo promove estudos na área fotovoltaica há dez anos, mas com foco anterior para o funcionamento de motores. “A geração eólica é uma das que já pegou. Existem grandes parques no país. A geração fotovoltaica está começando agora. Assim como o uso dessa tecnologia em imóveis de menor porte, caso das residências”, avalia o professor Ernesto Ruppert Filho, coordenador da pesquisa de Gazoli e responsável pelo Departamento de Sistemas e Controles de Energia da Faculdade de Engenharia Elétrica da Unicamp.

“A utilização do modelo em uma cidade como Campinas, por exemplo, é como se suprisse a construção de uma usina para alimentar o município. É economia para o governo também”, ressalta Ruppert. Com isso, aplica-se o conceito de usinas solares domésticas.

Quanto à política pública para o desenvolvimento de energias renováveis no Brasil, Jonas Rafael Gazoli avalia que a atenção ao tema ainda está no começo, mas caminha a passos largos. “Começou no início de 2011, mas tem avançado muito. Há muita pressão para que isso ande mais rápido”. Ele participou, inclusive, do desenvolvimento de normas para utilização de sistemas fotovoltaicos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Empresa encubada oferece a tecnologia

A tecnologia fotovoltaica está disponível no país para residências em empresas emergentes, como a que foi criada pelo próprio Gazoli, juntamente com Villalva, que havia dado início à pesquisa com o desenvolvimento de modelos industriais. Eles possuem uma empresa que funciona no sistema de incubadoras em Campinas.

O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) explica que as incubadoras são instituições que auxiliam no desenvolvimento de empresas nascentes e em operação, que buscam a modernização das atividades para transformar ideias em produtos, processos e serviços.

“As empresas que buscam as incubadoras, além de receberem suporte gerencial, administrativo e mercadológico, recebem apoio técnico para o desenvolvimento do seu produto”, explica representantes do Sebrae em consulta feita pelo Digitais. O empreendimento pode ser acompanhado do planejamento à consolidação da atividade.

O órgão destaca que pode participar do programa qualquer pessoa que tenha um projeto inovador e deseja abrir a própria empresa, muitos deles desenvolvidos nas universidades durante a graduação ou, posteriormente, na especialização.

O órgão esclarece duvidas e apresenta possibilidades aos interessados em seus postos e na internet, no site www.sebrae.com.br.

Ouça mais.

 

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