Apesar dos investimentos, atleta afirma: “Nós pagamos para conseguir competir”

Em 2010, o investimento no esporte brasileiro chegou à R$ 802,5 milhões, o que corresponde a 0,054%, do Orçamento Geral da União (OGU). Em 2011, até 26 de outubro, foram R$ 526 milhões, segundo a ONG Contas Abertas. Apesar deste valor ser pelo menos dez vezes superior ao investimento de países como México, ele não é repassado, por exemplo, para equipes que participam de competições internacionais.

Hoje, a maior parte do investimento é destinado aos atletas de ponta. E para chegar até esse patamar, o atleta precisa bancar todos os gastos até conseguir um resultado marcante. Algumas vezes, nem isso é suficiente.

Em conversa com atletas ituanos que treinam na Academia Fábrica e integram a equipe brasileira de halterofilismo – que participou dos jogos Pan-americanos e Parapan-americanos e de competição Sul-Americana – fica claro o descaso com os esportes menos conhecidos.

Atletas chegam a pagar as viagens e hospedagens para representarem o Brasil em competições nacionais e internacionais, o que não acontece com as grandes equipes de futebol.

Segundo Edmur Pessoa, o “Mamute”, que bateu o recorde Sul-Americano em 2011 levantando 246 quilos no supino, a falta de verba obriga os atletas a trabalharem para sustentar a família e bancar os gastos com as competições. “Como não há incentivo, nós trabalhamos e pagamos para conseguir competir,  isso prejudica nosso desempenho, já que o tempo que temos para treinarmos e nos prepararmos é muito inferior comparado a maioria dos atletas de outros países”.

Crédito: Assessoria Academia Fábrica
Edmur diz que o tempo para treinar é inferior ao de competidores de outros países

Para Bruno Carra, que competiu nos Jogos ParapanAmericanos,  a falta de incentivo e divulgação do esporte não permitem que as equipes consigam grandes patrocínios. Mesmo assim, ele comemora os resultados obtidos na competição. “Desde o início do ano passado vinha treinando pesado para essa competição em Guadalajara e fiquei muito feliz com o resultado”. O atleta conquistou uma medalha de prata levantando 140 quilos, na categoria de 48 a 56 quilos.

Crédito: Artur Vergennes
Edmur e Bruno exibem suas conquistas: recorde Sul-Americano e medalha de prata no Parapan

Solução?

Uma alternativa para esportes que não recebem muitos investimentos pode estar a caminho. Atualmente, restrito às empresas patrocinadoras e a grandes empresários, os investimentos nos esportes podem se tornar mais acessíveis para o investidor pessoa física, por meio de fundos de investimento que devem ser disponibilizados em breve.Alguns clubes de futebol por exemplo, já estudam a possibilidade de criá-los, com objetivos de captar recursos para a própria administração. Com isso, se poderia criar uma espécie de “cofrinho”, no qual seriam depositadas arrecadações de dinheiro que seriam destinadas à evolução das modalidades esportivas.

Halterofilismo

Modalidade oficial desde os Jogos de Atenas em 1986, o esporte consiste em conseguir levantar uma série de discos de metal que são progressivamente mais pesados. Possui duas modalidades: arranque e levantamento. A Federação Internacional de Halterofilismo permite a participação de 250 atletas. Destes, 176  são homens divididos em oito categorias, que vão desde menos de 56 kg até mais de 105 kg.  As 74 atletas femininas são divididas em sete categorias, que vão desde menos de 48 kg até mais de 75 kg.

O halterofilismo é provavelmente um dos esportes mais antigos, já que nasceu há três milênios, na China, onde era imprescindível para a preparação dos soldados.

Halterofilismo Paraolímpico

É a única modalidade paraolímpica em que os atletas são categorizados por peso corporal, como no halterofilismo convencional. Os competidores precisam ter a habilidade de estender completamente os braços com mais de 20 graus de perda em ambos os cotovelos para realizar um movimento válido. De acordo com as regras, podem competir atletas com paralisia ou amputados abaixo da cintura.

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