O que o lançamento do Mass Effect 3 mostra sobre o mercado de jogos brasileiro

Divulgação / Bioware
Equipe do jogo Mass Effect 3

O lançamento do jogo de videogame Mass Effect 3 (ME3), último capítulo da trilogia de aventura espacial, acontece na próxima quarta-feira (14), em lojas de todo o Brasil, demonstrando como a demanda por games cresce no país. O ME3 será lançado quase que simultaneamente ao lançamento nos Estados Unidos, que aconteceu no dia 4 e vendeu 890 mil exemplares, nas primeiras 24 horas. Esse “atraso”,  já é um avanço se comparado a outras gerações. O console Super Nintendo, por exemplo, ícone da geração 8bits, foi lançado nos Estados Unidos em 1991 e atingiu as prateleiras locais apenas em 1993.

O compartilhamento de arquivos pela internet contribui para essa mudança: o site da Nuuvem, serviço de distribuição digital de jogos, já disponibilizava a pré-venda da edição de luxo do Mass Effect 3 no dia 6 de março, antes mesmo do lançamento oficial. A transferência virtual incentiva os fãs que se assustam com os preços “salgados” dos jogos importados, que passam por taxas fiscais maiores por serem considerados como “jogos de azar”. Em alguns casos, os impostos chegam até 124% do valor original.

Em São Paulo, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto no dia 30 de dezembro para que os games sejam integrados às propostas da Lei de Informática (8.248/91), reduzindo o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Caso seja ratificada pelo Senado, os fabricantes que investirem parte do faturamento em pesquisa para o setor brasileiro receberão benefícios fiscais para os jogos eletrônicos de uso doméstico:  os games.

E vai além,  o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante anunciou uma nova “política agressiva para produção de games”, que pretende implantar até o fim de 2012. Um dos planos do ministro envolve a construção da primeira fábrica de videogames do Brasil, para produção de equipamentos nacionais.

Apesar das políticas ainda não terem sido efetivadas, o custo elevado não desestimula os 35 milhões de brasileiros que usam alguma espécie de jogo eletrônico, seja portátil, ou online. Uma pesquisa realizada pelo Newzoo, empresa especializada em pesquisar a indústria dos games, mostra que em 2011 os brasileiros gastaram R$ 2 bilhões de reais no segmento.

 

O perfil dos fãs

Renan Teruya, 27 anos, fã da saga Mass Effect, afirma gastar quase 5 mil reais com jogos a cada ano: “meus jogos favoritos incluem RPG, estratégia e FPS. Gasto aproximadamente uns R$ 400 por mês”. Sobre o lançamento, ele se mostra excitado, “acompanho o jogo desde o início. Pretendo comprar e acredito que demore 50 horas para terminá-lo. Foi o mesmo com ME e ME2”, diz o universitário, que reserva 8 horas por semana para jogar.

“A tecnologia fez com que os videogames evoluíssem de tal maneira que começaram a criar e ratear jogos apenas para adultos, então não é uma questão do hobby ser mais bem visto, e sim ter evoluído com a garotada da geração antiga que virou adulta e quis continuar jogando”, explica Iuri Genovesi Gomes, 24 anos, sobre o amadurecimento dos jogos que vem distanciando a noção de que “videogame é coisa de criança”. Com roteiristas, animadores, músicos e atores profissionais, a indústria dos games se assemelha cada vez mais ao cinema, como o lançamento das sequências indica.

O novo teor adulto dos jogos, por sinal, é o que atrai essa geração que cresceu com o videogame. Segundo dados da Entertainment Software Association, o jogador médio tem 37 anos e joga videogames há pelo menos 12 anos. Os jogadores que mais gastam com produtos eletrônicos têm em média 41 anos. E, quem acha que os jogos não refletem esse amadurecimento, pode se surpreender.

“A riqueza dos personagens, culturas alienígenas e, sobretudo, o intrincado fundo político, fazem com que o jogo tenha um enredo muito humano. Digo humano pela iminência de um apocalipse galáctico e o descaso dos governantes. É o que se acontece com os nossos próprios governantes se pensarmos na natureza, por exemplo”, conta Renan, sobre os motivos pelos quais se interessou tanto pelo Mass Effect.


Mass Effect

O universo de Mass Effect conta a saga do Comandante Shepard, um humano (ou humana) que precisa combater os Reapers, raça alienígena que pretende destruir o planeta Terra. Com a ajuda de companheiros que vão desde atiradores de elite alienígenas, até humanos com implantes cibernéticos, Shepard leva sua nave espacial para a última luta contra a ameaça.

O jogo mistura os gêneros de ação e RPG, inovando pela possibilidade de caracterização, que permite que o jogador crie seu personagem como desejar (homem, mulher, negro, careca, etc) e pelo sistema de escolhas que permite ao jogador responder de modo agressivo, pacato, ou neutro aos diálogos, criando uma própria personalidade.

Bioware, empresa que desenvolve o game, causou polêmica ao permitir que o comandante tenha relações afetivas com personagens de mesmo sexo, dentro do universo do jogo onde raça, etnia, ou sexo não são impedimentos sociais para o herói das galáxias.

O modo multiplayer também é uma novidade do ME3, que complementa a experiência da campanha principal através de modos diferentes de jogo, compartilhados com outros usuários via internet. Para o novo jogo, 40 mil linhas de diálogo original foram desenvolvidas por roteiristas profissionais.

O Mass Effect 3 custa R$ 199,90 e pode ser jogado no Xbox 360, no Playstation 3, ou em um PC.

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